O campeão da maratona poderia levar também o prêmio de atleta mais carismático do Pan de Guadalajara. Solícito, sorridente e com uma história de vida admirável, Solonei Rocha sambou para a torcida mexicana, emocionou os jornalistas com seu passado como ex-lixeiro e agora fala em fazer faculdade depois de completar o ensino médio com um supletivo.
“Abriu uma visão diferente na minha mente. Eu estava acomodado. Não tinha terminado nem o ensino médio. Quero fazer o vestibular para educação física para no fim da minha carreira poder cuidar das categorias de base da minha cidade. Quero formar atletas e seres humanos”, disse o campeão pan-americano.
Logo após conquistar o ouro, Solonei esbanjou simpatia. Em frente a uma arquibancada lotada, esqueceu o cansaço e acompanhou com passinhos de samba o batuque que tomava conta da chegada. Na hora de ser entrevistado, emocionou os jornalistas presentes.
Solonei Rocha tem 29 anos e nasceu em Penapólis, no interior de São Paulo. Até dois anos atrás, trabalhava para a Prefeitura de sua cidade na coleta de lixo. “Essa vida pregressa ajudou na formação física dele, porque ele fazia todo dia um trajeto de 25 km correndo atrás do caminhão”, disse Clodoaldo Carmo, técnico de Solonei.
Quando começou a treinar, o atleta se viu no meio de uma confusão com a qual não tinha nada a ver. O clube onde estava treinando, o Grupo Rede, em Bragança Paulista, foi encerrado após um escândalo de doping.
Neste período, dois médicos do staff da seleção brasileira bancaram os custos do atleta. Os irmãos Moreira, como são conhecidos, foram lembrados por Solonei na festa do ouro. Após um período de indecisão, um contrato fechado com o Pinheiros deu estabilidade para Solonei, que segue treinando em Bragança Paulista apesar de competir pelo clube paulistano.
Agora, a ideia é se garantir em Londres, nas Olimpíadas de 2012. O brasileiro vai disputar uma maratona entre dezembro e janeiro no Japão. Em abril, tentará o índice olímpico na capital inglesa.