Na festa de gala marcada da Fifa para esta segunda-feira, em Zurique, o tapete vermelho será estendido para as estrelas enquanto internamente a entidade passa por uma de suas piores crises. O presidente Joseph Blatter exaltará a temporada do futebol, seus destaques e aproveitará a presença de Neymar e das japonesas campeãs mundiais para repetir o discurso de que cada vez mais o esporte é universal. Mas, acima de tudo, se esforçará para que por um momento as polêmicas envolvendo a Fifa fiquem em segundo plano na entrega da "Bola de Ouro".
O ano de 2011 já começou com a entidade na defensiva por conta do tumultuado processo de escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022. O ex-presidente da Associação de Futebol da Inglaterra, David Triesman, chegou a acusar membros do comitê executivo, os votantes na eleição, de receber propina das candidaturas vencedoras, Rússia e Catar. A entidade se defendeu, pediu provas, mas ganhou mais arranhão em sua imagem.
A reeleição de Joseph Blatter, em junho, não foi menos turbulenta. O próprio presidente foi acusado de tentar comprar votos, mas acabou inocentado pela Comissão de Ética. Seu único concorrente no pleito, o catariano Mohammed Bin Hammam, retirou a candidatura e foi suspenso por envolvimento em um escândalo de compra de votos. Em seu discurso de vitória, Blatter prestou mais explicações e tentou abafar a crise que só aumentou nos meses seguintes.