Para um esporte que cobra anos de dedicação pelo desempenho em alto nível, iniciar a prática do judô com 15 anos de idade pode ser tarde demais. Por exemplo, grandes nomes da modalidade no Brasil como Tiago Camilo e Leandro Guilheiro, começaram com quatro e cinco anos respectivamente. Hoje, ambos têm duas medalhas olímpicas. Depois de superar o início tardio e “artificial”, o campo-grandense Rafael Silva agora busca seu primeiro pódio em Olimpíadas, deixando para trás também a fama de pacato e o apelido Baby.
Aos 15 anos, o judoca peso-pesado começou a treinar em Rolândia, no Paraná. “É meio complicado quando você começa tarde porque tem muita defasagem técnica. Quando você é criança, você vai aprendendo a coisa meio ao natural. Os fundamentos do judô: como andar, a postura. Isso eu tive que aprender por meios artificiais. Tive que repetir muito para colocar isso dentro do inconsciente, de conseguir fazer sem pensar muito”, apontou o atleta.
Três anos mais tarde, Rafael se mudou para São Paulo, para morar no Projeto Futuro, que desenvolve jovens talentos, e ganhou o apelido de Baby, facilmente explicado pelo jeito calmo e a silhueta avantajada. Além disso, era o mais novo no centro de treinamento. Aos 24 anos, se prepara para disputar sua primeira Olimpíada sem acreditar que a fama pacata acabe por causar prejuízo nas lutas.
“Acho que não tenho problema. Sou bem calmo. Meus adversários que têm que sentir a agressividade. Fora do tatame, o negócio tem que ser mais calmo”, apontou.
A rotina até os Jogos de Londres promete ser intensa, mas tranquila: com a agressividade controlada, ele segue trabalhando no Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo. E fazendo repetições para evitar a antiga artificialidade. “É meu estilo. Tenho que fazer muita repetição. Tenho que trabalhar esse lado pra sair natural. O Leandro (Guilheiro) é um cara que parece que faz o negócio muito fácil, muito natural. Para mim é um pouco diferente, tenho que trabalhar, repetir mais”.