O atleta paralímpico sul-africano Oscar Pistorius, suspeito de assassinar sua namorada, a modelo Reeva Steenkamp, segue detido neste sábado pelo terceiro dia em uma delegacia de polícia de Pretória. O velocista aguarda a visita de seus advogados para preparar sua defesa.
Neste sábado, os telespectadores aguardam o início da quinta temporada do reality show "Tropika Island of Treasure", que será transmitida às 18h30 (14h30 de Brasília), canal público SABC1. A transmissão teve a autorização da família da modelo, que deseja que "todo o mundo possa ver sua filha" e que ela seja "honrada como a jovem feliz, resplandecente, charmosa e vibrante" que era.
Reeva Steenkamp, tinha 29 anos e mantinha um relacionamento com Pistorius desde novembro do ano passado. A polícia suspeita que ela foi morta por ele com uma pistola 9 mm no dia de São Valentim. Reeva era uma das sete celebridades do programa.
Prisão perpétua
Segundo uma fonte policial, Pistorius dormiu bem em sua terceira noite na cadeia. Ele está em uma delegacia do bairro do Brooklyn de Pretória, na África do Sul.
Pistorius se apresentou chorando na sexta-feira em seu primeiro comparecimento perante a Justiça, que o acusou formalmente pelo assassinato de Reeva.
A polícia esclareceu que a arma utilizada para o crime pertencia ao atleta, único suspeito do crime. Caso ele seja condenado, sua pena pode ser a prisão perpétua.
Inspiração
Pistorius sempre foi considerado uma fonte de inspiração para milhares de admiradores em todo o mundo. Ele nasceu sem o perônio e seus pais decidiram pela amputação de suas pernas abaixo dos joelhos quando ele tinha apenas 11 meses.
Durante muito tempo jogou rugby, antes de se lesionar gravemente e passar a se dedicar ao atletismo. Apelidado de "Blade Runner", por correr com duas próteses de fibra de carbono, Pistorius revolucionou o esporte paralímpico.
O suspeito foi autorizado a receber visitas em sua cela e neste sábado verá sua família e seus advogados, informou seu agente Peter van Zyl, à agência de notícias AFP.
Família
Na sexta-feira, a família e o agente de Pistorius divulgaram um comunicado que dizia: "Este suposto assassinato é rejeitado de forma contundente". No entanto, a defesa precisará fazer grandes esforços para provar "as circunstâncias excepcionais" que justificariam um regime de liberdade condicional para Pistorius.
A acusação estará representada por um importante membro da promotoria, Gerrie Nel, conhecido por ter enviado à prisão em 2011 o ex-chefe da Interpol e ex-chefe da polícia nacional, Jackie Selebi, por corrupção.
A audiência será retomada na terça-feira no tribunal de Pretória. Neste mesmo dia irá ocorrer o funeral de Reeva Steenkamp em Port Elizabeth, ao sul do país, onde vive sua família e onde, segundo os meios de comunicação sul-africanos, ela será cremada.
Audiência
A audiência, que deve durar até quarta-feira, pode revelar o motivo pelo qual a promotoria considera que o crime foi um "assassinato com premeditação". A imprensa indicou que o atleta aparentemente disparou contra Reeva através da porta do banheiro.
Os especialistas da polícia continuavam com suas investigações na casa de Pistorius neste sábado. Muitos admiradores do atleta, chocados e tristes, se negam a acreditar em um assassinato.
No entanto, o julgamento deverá explicar por que Pistorius, envolvido em vários incidentes que colocaram em evidência seu temperamento explosivo, conseguiu conservar sua autorização de porte de armas, em contradição com a legislação.