Gilson Kleina tem tantas vitórias quanto derrotas (12) no Palmeiras, e a maioria dos revezes, além dos nove empates, foi justificada com azar, algo sobrenatural que atrapalha o seu trabalho. A desculpa voltou a ser usada após a derrota por 6 a 2 para o Mirassol nessa quarta-feira. Pode ter sido a última vez.
Sob forte risco de demissão, o técnico sempre ressalta todas as dificuldades que têm para armar a equipe, e na verdade passa a impressão de que não sabe lidar com os problemas que aparecem. Um exemplo é Marcos Vinicius, promovido ao profissional pelo treinador em janeiro, mas que teve sua estreia lamentada em Mirassol.
O "azar" da quarta-feira foi a indisposição estomacal de Mauricio Ramos pouco antes de o time entrar em campo. "As circunstâncias que estão acontecendo não são normais em uma equipe. São inúmeras lesões e ainda perco um jogador antes de entrar no jogo, além de ter que fazer estreias e improvisações".
O discurso se repete desde setembro, quando Kleina foi contratado. Para explicar o rebaixamento que não conseguiu evitar no Campeonato Brasileiro, o técnico não cansa de citar a punição ao clube, que mandou quatro jogos fora de São Paulo, e lesões como as de Marcos Assunção e Valdivia.
Para este ano, os primeiros argumentos foram as eleições presidenciais, em 21 de janeiro, e o veto do Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) às contratações, embora o próprio Kleina tenha se colocado contrário a maior delas no fim da gestão de Arnaldo Tirone: Riquelme, prontamente descartado por Paulo Nobre.
Depois, foi a vez de lamentar as saídas de Luan e, principalmente, Barcos, já que Kleber, que antes empolgava o técnico, só gerou decepção até agora. E mais lesões: nessa quarta-feira, sete jogadores não tiveram condições de entrar em campo. Na Libertadores, ainda há o problema de quatro reforços que não foram inscritos pelo Palmeiras.