Os jogadores perceberam a revolta da torcida ainda na madrugada deste sábado, quando foram divulgadas em redes sociais fotos de cruzes fincadas na praça Charles Muller, em frente ao estádio do Pacaembu, com os nomes de todos do elenco. Mas a ação não gerou susto, de acordo com as declarações dos profissionais do clube. Foi apenas um ato permitido em uma sociedade democrática.
"A morte para quem protestou seria sair do Palmeiras. E todo torcedor tem o direito de se manifestar contrário a algum jogador. É um direito deles", minimizou o presidente Paulo Nobre, que foi alvo de xingamentos de um grupo que deixou o Pacaembu logo após a vitória sobre o Linense, neste sábado.
Os protestos não se limitaram ao que ocorreu na madrugada. Neste sábado, a área costumeiramente ocupada pela Mancha Alviverde, principal organizada do clube, exibiu a inscrição "Desculpas até quando?" quando o time entrou em campo. E os jogadores foram vaiados tanto no momento em que saíram dos vestiários, antes do jogo, e durante o segundo tempo, quando o placar era de 1 a 1 e a atuação era ruim.
Ações todas atribuídas à derrota por 6 a 2 para o Mirassol, na quarta-feira. "O torcedor paga ingresso e, quando time não ganha ou há uma derrota como em Mirassol, é normal que fique descontente. Nós, que somos jogadores profissionais, temos que saber lidar com isso, não podemos nos deixar levar", disse André Luiz.
A vitória sobre o Linense, conquistada com gol aos 45 minutos do segundo tempo, virou prova de personalidade. "Temos que fazer nosso trabalho. Sabemos de nossas qualidades e nossas limitações, temos que jogar sem medo e com coragem. Vamos errar, mas precisamos de personalidade", falou André Luiz.
A diretoria, porém, sabe que crises não são facilmente encerradas no clube. "Infelizmente, esse é um Palmeiras que existe, com crises que surgem do nada, mas que pretendemos mudar. Às vezes, algo que não é fato passa a ser um problema. Mas vamos tentar mudar isso nos próximos durante o meu mandato", prometeu Paulo Nobre.