Em um corpo a corpo pelos corredores da Câmara dos Deputados, um grupo de atletas buscou hoje apoio de parlamentares para a aprovação de uma proposta que limita mandatos de presidentes e dirigentes de federações que recebem recursos públicos.
A medida pode ter efeito, por exemplo, para o COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Pela proposta negociada por esportistas com o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) serão estabelecidos critérios para repasses de recursos públicos e benefícios. As entidades que aderirem ao modelo, que estabelece mandato limitado para dirigentes, terão prioridades no financiamento público.
Pelo texto, os mandatos teriam duração máxima de quatro anos, permitida apenas uma reeleição. A ideia é que essa proposta seja inserida em uma medida provisória, que já editada pelo Executivo, e que deve ser votada no Congresso em agosto.
Entre os outros critérios estão transparência na prestação de contas da entidade e participação dos atletas nos conselhos dirigentes.
Há ainda uma permissão para que os dirigentes executivos recebam salários sem que a entidade deixe de ter direito a isenção fiscal.
Atualmente, as regras de sucessão nas confederações variam de entidade para entidade. O presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, está desde 1995 no comando do comitê. O COB não será obrigado a aderir ao novo modelo, mas terá mais dificuldades para receber os recursos.
A limitação dos mandatos tem apoio do governo e já foi defendida pelo ministro Aldo Rebelo (Esporte) como uma forma de impor aos dirigentes maior responsabilidade com o esporte.
Na Câmara, estiveram representantes de várias modalidades, entre eles Ana Moser e Leila, do vôlei, e o ex-jogador de futebol Raí.
Segundo o ex-jogador, a ideia é dar maior transparência ao financiamento público das entidades.