O caso de corrupção que envolve Bernie Ecclestone pode custar o emprego do homem forte da Fórmula 1, caso a justiça o considere. A afirmação foi feita por Donald Mackenzie, co-fundador do grupo CVC, que detém os direitos comerciais da categoria, em depoimento dado à Alta Corte Britânica na última segunda-feira.
“Se ficar provado que o sr. Ecclestone teve qualquer conduta criminosa, nós vamos demiti-lo. Ele me disse que nunca mentiu para mim, mas devo admitir que acho difícil que alguém possa ter esquecido um pagamento no valor de 40 milhões de dólares”, disse Mackenzie.
Ecclestone é acusado de corrupção na venda de ações para o grupo de investimentos que detém os direitos da Fórmula 1. O esquema do homem forte da F1 teria provocado prejuízos de 100 milhões de dólares (R$ 230 milhões) ao grupo de comunicação alemão Constantin Intermedeiem, que detinha parte dos lucros em 2005.
Segundo os advogados do grupo alemão, Ecclestone teria subavaliado o valor real das ações, visando facilitar a venda para o CVC. Em troca, o grupo deveria manter o britânico no comando da categoria. De acordo com a acusação, Ecclestone teria repassado 44 milhões de euros (R$ 136 milhões) ao ex-diretor de riscos do BayernLB, Gerhard Gribkowsky, instituição financeira que detinha grande parte das ações da F-1 na época.
Em seu depoimento para tribunal londrino, dado no início do mês, Ecclestone admitiu que pagou 10 milhões de euros (R$ 30,5 milhões) para Gribkowsky, mas disse que a quantia se referia a uma apólice de seguro. Acusado de cúmplice no esquema, Gribkowsky cumpre uma pena de oito anos e meio de prisão por sonegar impostos, fraudar documentos fiscais e desviar dinheiro.
Se condenado, no julgamento previsto para terminar em dezembro, Ecclestone poderá pegar até dez anos de prisão. Em 2014, o britânico também será julgado pela justiça alemã.