Dois dias após uma briga com torcedores croatas que mexeram com brasileiras no aeroporto internacional do Rio, Tom Jobim (Galeão), o engenheiro Erick Pereira Silva, 27, que voltava de viagem dos Estados Unidos, afirmou nesta sexta-feira (20) à reportagem que vai processar a Infraero -estatal que administra o terminal- por danos morais.
O passageiro alega que ele e sua noiva foram agredidos por dois croatas supostamente alcoolizados na área de restituição de bagagem, sem sequer receber auxílio da segurança da estatal.
O caso aconteceu na manhã de quarta-feira (18), quando dois croatas teriam tentado agarrar brasileiras acompanhadas. Vítimas e testemunhas disseram à polícia que os turistas seguravam as passageiras pelo braço para lançar "cantadas com palavras de baixo calão em inglês".
Erick Silva não gostou do comportamento dos estrangeiros e retrucou as agressões. Ele sofreu ferimentos nas costas e um dos croatas levou um soco e ficou com um hematoma na testa.
"Eles partiram pra cima de mim e o segurança da Infraero que estava ali nem ajudou. Ele só olhava. Ninguém interveio apesar dos gritos da minha noiva e algumas mulheres no saguão lotado, foi aí que acabou meu espaço de recuar e um dos croatas tentou me imobilizar, foi quando pisei na esteira em movimento e caí no chão, aí então vieram os dois [estrangeiros] em cima de mim", lembrou o passageiro.
O brasileiro também se queixou da falta de câmeras de segurança no local. "Para um aeroporto que se diz preparado para grandes eventos.. não ter imagens da esteira com as bagagens. Então, qualquer um pode pegar a minha mala ali e ir embora sem preocupação?", disse.
A polícia afirmou à reportagem que a câmera da estatal, que fica em frente à esteira de restituição de bagagem, não flagrou o momento da briga porque existia um "ponto cego".
A estatal afirma que existe uma câmera de segurança na área, mas ela é giratória e não estava voltada para o tumulto na hora da agressão -apenas quando a briga já havia sido apartada. Diz também que o segurança acionou imediatamente a polícia e ajudou a separar a briga -apesar de ter como prioridade a "vigilância patrimonial".
A dupla de croatas foi autuada por importunação ofensiva ao pudor, desacato e lesão corporal. Um terceiro croata tentou apartar a briga e não se envolveu na confusão.
Os estrangeiros chegaram a ser detidos, mas foram liberados no mesmo dia depois de prestar depoimento. Investigadores dizem que eles continuam no Rio. A Embaixada da Croácia afirma que lamenta o episódio.
"Os croatas ficaram com medo de serem deportados, mas disseram que iriam cumprir todas as exigências da polícia brasileira e a embaixada prestou todo apoio necessário".
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República disse apenas que "todos os casos de violência sexual que chegaram até o Governo durante a Copa foram e estão sendo monitorados e resolvidos, em parceria com as delegacias especializadas de atendimento às mulheres (Deams) e com as secretarias de políticas para as mulheres das respectivas cidades-sedes".