O programa Fantástico, da TV Globo, levou ao ar neste domingo uma reportagem que mostra que o celular de Mohamadou Lamine Fofana, apontado como operador da máfia dos ingressos da Copa, registrou 900 ligações para um telefone da Fifa no Brasil nos últimos 2 meses
A Polícia Civil do Rio de Janeiro já pediu à Fifa a lista dos números que a entidade usa no Brasil e também os nomes dos responsaveis por cada linha, mas ainda não teve resposta da entidade.
Fofana foi preso nesta semana no Rio de Janeiro em operação da Polícia Civil que prendeu outras 10 pessoas. A polícia busca agora a pessoa que estaria trabalhando dentro da entidade e que seria o contato da quadrilha.
O vídeo apresentado pela reportagem mostra um caderno com a contabilidade do esquema de venda de ingressos.
Só no jogo de abertura da Copa do Mundo, entre Brasil e Croácia, Fofana negociou 52 ingressos em camarotes por R$ 12,6 mil cada. Para a final deste domingo, o argelino tem pelo menos 25 ingressos VIP, cada um custando R$ 51 mil.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Fábio Barucke, os ingressos para as 64 partidas poderiam render R$ 200 milhões de reais à Fofana.
Um dos telefonemas grampeados pela policia mostra um comprador pedindo (em inglês) ingressos para uma partida da seleção brasileira em Brasília e também para a final.
Segundo a Fifa, foram emitidos 3,3 milhões de ingressos que se dividem entre patrocinadores, Comitê Organizador Local e federações estrangeiras de futebol, além do torcedor comum.
"Existe alguém dentro da Federação Internacional envolvido porque senão ele não conseguiria esse número excessivo de ingressos, muito menos dessa qualidade", disse o promotor de justiça do Rio Marcos Kac.
Segundo o promotor, as provas do envolvimento de Fofana são contundentes em relação aos crimes de cambismo e de organização criminosa. A polícia investiga ainda os crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e de evasão fiscal.
O diretor de marketing da Fifa, Thierry Weil, disse em coletiva de imprensa na semana passada que a entidade está colaborando com as investigações.