Se as equipes aproveitaram a pausa para a Copa do Mundo para ganharem mais entrosamento, os árbitros tentarão fazer o mesmo a partir de agora - e inspirados na principal competição do planeta. A Comissão de Arbitragem da CBF anunciou em junho que adotará trios-base em seus campeonatos, a exemplo do que faz a Fifa no Mundial. O objetivo é aumentar a sintonia entre árbitros e assistentes e diminuir os erros. A medida, que será colocada em prática sempre que possível nas Séries A e B e, dependendo da logística, na Série C do Brasileirão, começou a ser implantada nos jogos da última terça-feira (15), pela 11ª rodada da Série B. Já vale também para as partidas da décima rodada da Série A, marcadas para este meio de semana.
- Vamos implantar equipes especiais de arbitragem, de modo que árbitros e assistentes possam atuar juntos o maior número possível de partidas. Um dos objetivos é fazer com que um esteja acostumado com o modo de trabalhar do outro. Quando o trio trabalha junto há algum tempo, a margem de erro tende a ser menor. Não podemos dizer que serão trios fixos, pois o Brasil é um país de dimensões continentais, e as longas distâncias muitas vezes dificultam a sua implantação. Além disso, a quantidade de árbitros e assistentes em cada estado é diferente. Nos últimos dois anos tenho observado uma mistura muito grande de estados na formação dos trios, com árbitros e assistentes muitas vezes se conhecendo no vestiário, prejudicando o rendimento do trabalho como um todo - afirmou Sergio Correa, presidente da Comissão.
A Série D terá instrutores com a missão de qualificar árbitros jovens. A competição será uma espécie de garimpo para descobrir novos valores, sendo que os melhores serão rapidamente promovidos para a Série C e até mesmo B ou A, dependendo do seu rendimento. Na Copa do Brasil, atuarão os árbitros mais experientes, mas neste caso as formações dos trios podem apresentar mais variações. Além disso, a partir das quartas de final as partidas terão os dois árbitros assistentes adicionais, que ficam na linha de fundo. Sérgio Correa afirma que a qualidade será o principal critério adotado na formação dos trios.
- Temos um banco de dados com informações desde 2008, através do qual estamos selecionando os melhores árbitros do país. A qualidade será o principal critério na formação destes trios. A base será sempre um árbitro bom com dois assistentes bons. Os três com grande índice de acertos e de preferência do mesmo estado. Se isso não for possível, poderemos ter árbitro de um estado e assistentes de outro ou outros.
Por mais que a adoção destas equipes especiais tenda a diminuir os erros, o presidente da Comissão de Arbitragem considera que é fundamental haver harmonia no trio. Daí, segundo ele, vem a importância da sociometria, que verifica como são as relações entre indivíduos de um mesmo ambiente de trabalho. O estudo foi desenvolvido pela psicóloga da CBF, Marta Magalhães Sousa, para evitar que profissionais que não tenham afinidade técnica ou pessoal atuem juntos no decorrer das competições.
- Estamos tentando eliminar todo e qualquer tipo de problema que possa interferir no desempenho do trio de arbitragem. A CBF está investindo pesado na arbitragem no segundo semestre para que os árbitros possam ter um índice de acertos muito grande. Aquele que não conseguir o desempenho esperado, com elevado nível de acertos, será naturalmente substituído.
A Comissão de Arbitragem da CBF tem 106 assessores para analisar o desempenho nas Séries A, B, C e D do Brasileiro, sendo que 35 são treinados pela Fifa. Destes, 12 ainda são formados em cursos internacionais. Todos eles vão atuar de acordo com a importância de cada partida. Quem não estiver trabalhando em um jogo poderá ser escalado para acompanhar o trabalho dos árbitros através de transmissões da TV. No fim, tudo será levado em conta para analisar os desempenhos.