Depois da ausência de Marussia e Caterham, mais três equipes podem boicotar o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, no dia 9 de novembro, por conta da crise financeira que assombra a maior competição automobilística. Caso a ameça se concretize, a etapa brasileira corre o risco de ter apenas 12 carros alinhados no grid de largada.
Desta vez, a crise atingiu as escuderias de porte médio, Sauber, Lotus e Force India. Além da falta de dinheiro, elas reclamam da má distribuição do montante dividido por acordos comerciais feito pelas próprias equipes com a Fórmula 1.
A crise no circuito veio à tona na véspera do GP dos EUA, disputado neste fim de semana. As equipes Caterham e Marussia nem sequer viajaram para a etapa e podem retornar somente na última corrida do ano – programada para Abu Dhabi.
Já os dirigentes das três novas equipes em crise revelam que só participaram da corrida após uma decisão tomada em reunião, a 90 minutos antes da prova.
A intenção de greve foi contornada pelo chefão Bernie Ecclestone, CEO da empresa que gere os direitos comerciais da Fórmula 1.
Bob Fernley, uma espécie de vice-chefe de equipe da Force India, disse que “todas as medidas” foram avaliadas - inclusive o boicote - antes que os times decidissem correr a etapa.
Para o dono da Lotus, Gerard Lopez, agora o momento é de espera para saber o que a direção da categoria fará para resolver o problema. “Será interessante descobrir o que vai acontecer nas próximas semanas”, comentou.
Por outro lado, o dirigente da poderosa equipe Mercedes e tricampeão mundial Niki Lauda tentou amenizar a delicada situação no circuito. “Sempre existirão equipes que estarão (em termos financeiros) seguras e outras que vêm e vão”, analisou.
Não é de hoje que se tenta reduzir gastos na Fórmula 1. A quantidade limitada de motores por temporada e o uso controlado de combustível foram algumas das ações aplicadas para conter custos.
Carro extra
O alto custo para a operação de um terceiro carro em cada equipe é outro ponto que vem gerando apreensão nos dirigentes das escuderias. A ideia pode ser concretizada em 2015, caso o grid fique esvaziado.
Acontece que, além das despesas milionárias, que já são uma realidade, as equipes teriam ainda que desembolsar entre R$ 140 e 160 milhões para ter um carro extra no próximo ano.