A classificação de 13 atletas sul-mato-grossenses para a Seleção Brasileira de Judô confirma a boa fase dos competidores da região. Contudo, apesar da quantidade expressiva de novos talentos que surgem a cada ano no Estado, a questão do apoio financeiro ainda é um problema para os atletas.
O próprio presidente da Federação de Judô de MS (FJMS), Marcos Cristaldo, reconhece a falta de patrocinadores. Para ele, mudar esta situação é um dos principais desafios para o judô se consolidar de vez no Estado.
Isso porque, sem apoio local, os lutadores acabam aliciados por clubes de outros estados, como São Paulo. “É fundamenta trabalhar a confiança dos empresários da região, para apostar nos nossos atletas, para que eles fiquem aqui”, diz.
O reflexo da falta de patrocinadores não é favorável nem mesmo para os lutadores que estão em evidência. É o caso de Camila Gebara, de Dourados. Apesar de ocupar o topo do ranking nacional da categoria peso-pesado, ela não consegue um investidor.
“Sempre falam que não tem como ajudar. Isso desestimula muito, já desisti de lutar em competições por falta de patrocínio”, lamenta.
Na temporada passada, ela deixou de participar de várias etapas internacionais, por questões de despesa. “Para cada viagem, existe um gasto de R$ 9 mil a R$ 12 mil, dependendo da distância do país”.
Sem perder a esperança, Gebara acredita que, com as Olimpíadas em 2016, no Rio de Janeiro, agora é o momento propício para os empresários apoiarem o esporte.
Contudo, ela afirma que a falta de ajuda não é só por parte dos empresários, mas também do Estado. “Temos muitos talentos aqui que são perdidos por falta de apoio financeiro. Conheço muitos atletas bons que até mesmo desistiram por isso”.
Graças ao seu desempenho em 2014, neste ano a douradense terá uma ajuda do governo federal, pelo Bolsa Atleta. “Mas consegui pelo meu índice, pela conquista da medalha de bronze no Pan-Americano em 2014”, ressalta a lutadora.