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Blazer admite suborno para escolher sedes da Copa

Blazer admite suborno para escolher sedes da Copa

Redação

04/06/2015 - 04h00
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x-secretário-geral da Concacaf e ex-vice-presidente da Federação Norte-Americana de Futebol, Chuck Blazer confessou ter recebido subornos durante os processos de escolha das sedes das Copas do Mundo de 1998 e 2010, que aconteceram na França e na África do Sul, respectivamente.

A confissão está em um documento de 40 páginas da justiça norte-americana intitulado “Estados Unidos vs. Charles Blazer”. Em seu depoimento, o ex-cartola admite ter recebido, junto com outras pessoas, propinas e subornos para a escolha das sede e para a venda de direitos de transmissão da Copa Ouro.

“Durante minha associação com a Fifa e a Concacaf, entre outras coisas, eu e outros concordamos que eu ou um co-conspirador iríamos cometer pelo menos dois atos de atividades ilícitas. Entre outras coisas, eu concordei com outras pessoas em (ou por volta de) 1992 para facilitar a aceitação de suborno em conjunção com a seleção do país-sede para a Copa do Mundo de 1998. Começando em (ou por volta de) 1993 e continuando até o início dos anos 2000, eu e outros concordamos em aceitar suborno e propinas em conjunção com a transmissão e outros direitos das Copas Ouro de 1996, 1998, 2000, 2002 e 2003. Começando em (ou por volta de) 2004 e continuando até 2011, eu e outros no comitê executivo da Fifa concordamos em aceitar suborno em conjunção com a escolha da África do Sul como país sede da Copa do Mundo de 2010. Entre outras coisas, minhas ações descritas acima tinham participantes e resultados comuns”, relatou o cartola.

Durante a disputa para receber a Copa do Mundo de 1998, Blazer foi ao Marrocos e recebeu dinheiro do comitê organizador local para votar no país, que foi derrotado pela França no pleito.

"Meses antes da votação, Blazer viajou com o Co-Conspirador 1 (que na época ocupava cargos altos na Fifa e na Concacaf) para o Marrocos, a convite do comitê de candidatura do país. Lá, Blazer estava presente quando um representante do comitê ofereceu propina ao Co-Conspirador 1, em troca do voto deste para o país africano sediar a Copa de 1998. Após a viagem, o Co-Conspirador 1 designou Blazer para combinar o pagamento. O cartola falou algumas vezes com os marroquinos, inclusive pelo telefone da sede da Concacaf em Nova York. O pagamento foi feito na reunião do comitê executivo em 22 de julho de 1992, quando a França foi eleita", diz o relatório.

Em 2004, Marrocos, África do Sul e Egito disputavam a sede do Mundial de 2010. Blazer e o co-conspirador 1 do documento (muito provavelmente o ex-presdeinte da Concacaf, Jack Warner) viajaram ao Marrocos e aceitaram receber US$ 1 milhão para escolher o país. No entanto, a dupla soube que representantes da Fifa, do comitê sul-africano e do governo sul-africano pretendiam pagar U$ 10 milhões pelo apoio deles. Assim, Blazer e o co-conspirador 1 mudaram de lado.

Com a impossibilidade de o dinheiro ser enviado pelo governo sul-africano, a Fifa entrou em ação. A entidade máxima do futebol transferiu a uma entidade do co-conspirador 1 um montade que seria utilizado na organização do Mundial. A justificativa utilizada foi ajudar imigrantes africanos no Caribe. Após o recebimento dos US$ 10 milhões, o co-conspirador pagaria US$ 1 milhão a Blazer - que não chegou a receber o montante total. Por causa desta movimentação, o atual secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, está sendo investigado.

Blazer foi membro do Comitê Executivo da Fifa entre 1996 e 2013. Na Concacaf, exerceu o cargo de secretário-geral entre 1990 e 2011.

As investigações que culminaram na prisão de dirigentes da Fifa começaram quando a Justiça dos Estados Unidos encontrou irregularidades nas declarações do dirigente ao imposto de renda do país. Para diminuir sua pena, Blazer aceitou revelar esquemas de corrupção na Fifa.

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