O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero, recebeu nesta segunda-feira, na sede da entidade, no Rio de Janeiro, presidentes e representantes das equipes da Série A do Campeonato Brasileiro. Segundo o site da CBF, o encontro durou quatro horas e meia e serviu para discutir temas como o atual momento do futebol, a necessidade de alterações no texto da Medida Provisória 671, que propõe refinanciar as dívidas das agremiações, e as mudanças no estatuto da entidade.
O encontro definiu que os clubes terão mais autonomia para organizar as competições daqui em diante. A CBF não terá mais o poder de vetar escolhas do Conselho Técnico, que poderá ter liberdade para decidir sobre fórmula do campeonato, preço de ingressos, horários das partidas, entre outros fatores.
A reunião também serviu para reforçar a posição dos clubes e da entidade contra o texto da MP 671, que trata do refinanciamento das dívidas das agremiações com a União, que ultrapassam os R$ 4 bilhões. As partes não concordam com as contrapartidas que viriam com o acordo.
Marco Polo Del Nero aproveitou para expor aos clubes as reformas que pretende fazer na CBF. O presidente pretende alterar o processo eleitoral da entidade, limitando os mandatos a somente uma reeleição e alterando o sistema de escolha dos vices.
Apenas Corinthians e Internacional não enviaram representantes ao encontro. Ex-presidente do Alvinegro, Andrés Sanchez, que ainda exerce grande influência no clube, é desafeto de Del Nero.
Segundo o site da entidade, o grupo saiu com cinco decisões fundamentais, que são:
1) Reforçar a unidade em torno do futebol brasileiro, reconhecendo a necessidade de modernização e independência;
2) Criação da Comissão Nacional Permanente dos Clubes Brasileiros, com fortalecimento e autonomia do Conselho Técnico, que poderá tomar decisões sem direito a veto da CBF;
3) Posição contrária ao relatório sobre a MP 671 apresentado pelo deputado federal Otávio Leite, com apresentação de proposta alternativa;
4) Divulgação massiva das medidas transformadoras do futebol brasileiro em andamento, com agenda positiva das ações;
5) Abertura da CBF aos clubes para apresentação de novas mudanças estatutárias.