Maicon Andrade se esforçou ao máximo: procurou o melhor ângulo para chutar, conseguiu pontuar através dos punhos e se movimentou enquanto pôde. Entretanto, neste sábado, na Arena Carioca 3, o brasileiro parou em Issoufou Alfaga Abdoulrazak, do Níger, nas quartas de final do peso acima de 80kg. Com 2,07m, "gigante" africano complicou a vida do brasileiro, que perdeu por 6 a 1. O anfitrião ainda tem chances de ir à repescagem, contudo, para que isso aconteça, precisa que seu algoz vença Dimitriy Shokin, do Uzbequistão, na semifinal e chegue até a disputa da medalha de ouro.
- Espero que ele possa fazer mais uma boa luta, passe e eu vá para a repescagem brigar pelo bronze - declarou o brasileiro, na zona mista.
Embora a diferença de tamanho seja nítida - Maicon é 17 centímetros menor do que o adversário - ele minimiza a questão e não acredita que a envergadura de Abdoulrazak tenha dificultado seu desempenho.
- A diferença de estatura não influencia. Dei meu melhor. Foram detalhes. Vou melhorar ainda mais. Achei ótimo esse apoio da torcida. Estou dentro de casa, todo mundo torcendo a favor. É uma energia a mais, chamando seu nome para você alcançar seu objetivo. Não alcancei minha meta, vou continuar estudando os adversários - declarou, sem se alongar.
A luta
Quando o início da luta foi autorizado, Maicon Andrade tomou a iniciativa, em busca da aproximação para acertar o adversário que ficava à espera do bote cirúrgico, tirando proveito da própria envergadura. Sem conseguir acertar o africano na cabeça, Maicon apostou no soco - e se deu bem, ao abrir 1 a 0, após um soco no corpo. Inabalável - e quase estático - o africano aguardava a hora de contra-golpear, que não veio.
No segundo round, logo aos 15 segundos, o córner do brasileiro pediu o auxílio do replay por um suposto chute dado por seu atleta no rosto de Abdoulrazak - o recurso, no entanto, foi indeferido, e o 1 a 0, mantido. Com ótimo público na Arena Carioca 3, o brasileiro recebia o apoio da torcida e circulava no dojang para não se tornar alvo do africano que, aos 40 segundos do término do round, se aproximou para empatar com um soco na região torácica. Houve tempo ainda para a virada: 2 a 1.
Na etapa final, o atleta do Níger seguiu no centro do dojang e tentou, com um chute frontal, acertar a cabeça do oponente, que escapou. Maicon não se intimidava, mas a clara disparidade de tamanho o atrapalhava. Ao cair e levar o segundo amarelo, viu o adversário aumentar para 3 a 1. O cronômetro se aproximava de zerar, e Maicon não tinha mais nada a perder. Foi para o tudo ou nada e, ao se expor, levou um chute na cabeça, que levou o atleta do Níger ao placar de 6 a 1, enterrando o sonho do brasileiro de avançar à semifinal.