Aos 19 anos, participar de uma Olimpíada como a maior promessa de sua seleção certamente acarreta em uma enorme pressão sobre o atleta. Mas, imagine, durante a competição, ser cogitado ter sua carreira agenciada por Floyd Mayweather e apontado pelo próprio como o seu sucessor no boxe? Foi isso o que aconteceu com Shakur Stevenson. O americano não se intimidou e, neste sábado, na decisão realizada no Pavilhão 6 do Riocentro, fez combate equilibrado com Robeisy Ramirez, de 22 anos, mas não conseguiu impedir o bicampeonato do cubano, que mostrou ser o maior nome da categoria dos galos (até 56kg) mais uma vez.
Após o pódio, Shakur Stevenson passou pela zona mista bastante abatido e atendeu a imprensa. Ele negou ter assinado com Mayweather para agenciar sua carreira, após o astro ter divulgado em suas redes sociais que fechou acordo com a promessa.
- Não, não assinei com ninguém, então posso ver minhas opções - afirmou o medalhista de prata, que minimizou a conquista ao dizer que vê apenas como uma derrota e deixando claro que a tendência é se profissionalizar.
- Definitivamente não (fiz o suficiente para vencer). Foi uma luta apertada. Respeito muito o cubano Robeisy Ramirez. Ele fez o que tinha que fazer e eu perdi. Foi uma ótima experiência, estou um pouco desapontado comigo por deixar muitas pessoas tristes, mas sinto que voltarei mais forte do que nunca. Não vejo (a medalha de prata) como uma conquista, vejo como uma derrota. É quase certo de que vá para o boxe profissional tentar ganhar alguns títulos mundiais e quebrar recordes. Não vou para o profissional com a medalha de ouro, como eu queria, mas... Prefiro lutar pelo título mundial do que voltar e tentar de novo. Adoraria lutar com ele no futuro e prometo que a história vai ser diferente. Espero que permitam que os cubanos vão para os profissionais nos Estados Unidos e, definitivamente, vou lutar com ele. Ele é um ótimo lutador - destacou.
Na disputa no peso médio, mais uma medalha de ouro para Cuba. Arlen Lopez venceu por decisão unânime o uzbeque Bektemir Melikuziev (29-28, 30-27 e 29-28). Os bronzes da categoria ficaram com Kamran Shakhsuvarly, do Azerbaijão, e Misael Uziel Rodriguez, do México.
Nicola Adams carrega o dom do pioneirismo com ela. Quando o boxe feminino debutou em Jogos Olímpicos, há quatro anos, ela foi a primeira mulher a conseguir a medalha de ouro da modalidade. Neste sábado, quatro anos depois, ela voltou a disputar uma final olímpica, diante de Sarah Ourahmoune, da França, e venceu por decisão unânime, com 3 a 0 (triplo 39-37), tornando-se a primeira bicampeã. Após a conquista, a britânica disse ter se tornado a pugilista mais vencedora da história da Grã Bretanha.
- É uma emoção absolutamente incrível. Fiz história e agora sou a boxeadora mais vencedora que a Grã Bretanha já teve. Vou tirar férias e depois pensar no meu futuro.