Acabou o mistério sobre o futuro do Novo para a disputa da Série D. Depois de dispensar todo o elenco e dissolver a comissão técnica, a equipe de Campo Grande anunciará na noite desta quarta-feira (18), em um hotel na região sul da cidade, parceria com os empresários Fernando Garcia, da Elenko Sports, e César Soler, sócio de Raudnei Freire na CSR Sports.
Juntos, os empresários geriram o futebol do Nacional, pequeno e tradicional time da zona oeste de São Paulo (SP), quase conseguindo um feito: o acesso à elite do Campeonato Paulista após 59 anos.
Dois jogadores do elenco do Naça, como é chamado o clube, já foram negociados por Garcia e Soler com o Corinthians, os atacantes Bruno Xavier, artilheiro da segunda divisão do Paulista, e Thiaguinho.
Nenhuma das partes envolvidas na parceria revelou detalhes de como o acordo funcionará até a publicação desta matéria. Uma coletiva está marcada para o hotel, assim como a apresentação do elenco. Américo Ferreira, presidente do Novo, que evitou contar detalhes da decisão de dispensar todo o elenco de uma só vez, disse que não poderia revelar informações. Garcia e Soler estavam embarcando e não puderam conversar com a reportagem.
O Correio do Estado apurou com pessoas do clube paulistano, no entanto, que a base que jogará a Série D pelo Novo é a mesma que disputou a segundona paulista. Dois nomes já estão confirmadoa extra-oficialmente. Um é o do experiente volante Ferdinando, 37 anos, que tem passagem pelo Grêmio e se tornou ídolo recente da Portuguesa. O outro é o do goleiro Maurício, de 41, que já passou por Londrina, Juventus-SP e Mixto (MT).
Sem técnico principal desde que Márcio Ribeiro, que fez história no Água Santa de Diadema (SP), foi demitido, no fim da segunda divisão, os empresários colocarão Ricardo Perpetuo, auxiliar técnico do Nacional nas duas últimas temporadas.
"É uma forma de dar rodagem ao elenco enquanto não há calendário oficial aqui em São Paulo", disse uma pessoa do Nacional, que prefere não se identificar.
Ou seja, o uso do elenco do Nacional com a camisa do Novo foi a maneira encontrada pelos empresários de manter o elenco em atividade enquanto a Federação Paulista de Futebol (FPF) não divulga a tabela e os times participantes da Copa Paulista, competição secundária daquele estado, disputada no segundo semestre por equipes que não participam de competições nacionais e que premia o campeão e vice com vagas na Copa do Brasil e na própria Série D.
"Isso não diminui em nada a competitividade, tenho certeza. A expectativa é que a Copa Paulista só comece em setembro, até lá o Novo já estaria com sua participação encaminhada. Olhe a Portuguesa no ano passado, que jogou a Série D e depois teve tempo para se dedicar ao torneio estadual. O trabalho é sério, é para acesso, o presidente aí tomou uma decisão correta. Não atrasam salários, oferecem boas condições de trabalho. Pessoal aí vai ficar feliz.No futebol atual, só assim para se manter", disse o conselheiro do Nacional.
Estrutura, contudo, que deverá ser a primeira dor de cabeça dos novos gestores do Novo. O time estreia na quarta divisão neste domingo, às 15h (de MS), contra a Aparecidense. O jogo está marcado para o Morenão. Mas estádio é um problema recorrente em Campo Grande. O maior palco do futebol local tinha alvará do Ministério Público Estadual somente até o fim do Estadual, vencido pelo Operário.
O órgão também barrou o Jacques da Luz, nas Moreninhas, sonho do Novo, que custeou todas as reformas e aguarda desde o começo do ano a improvável liberação que até agora não veio.
Para piorar, nem a resposta sobre jogar ou não com portões fechados chegou ainda por parte do MPE, forçando Rio Brilhante e Dourados como opções para a estreia. Primeiro pepino a ser descascado pelos gestores.
CURRÍCULO
Com foco em jogadores jovens, Soler ganhou notoriedade quando intermediou a ida do técnico Vanderlei Luxemburgo e de outros jogadores de destaque, como Renato Augusto, para a China. Em Mato Grosso do Sul, empresaria o zagueiro Augusto, do Corumbaense, o outro representante do Estado na Série D.
Garcia é mais conhecido. Foi conselheiro vitalício do Corinthians, mas largou a honraria no início dos anos 1990 para intermediar contratações para o clube de seu coração, entre elas a volta do ídolo Casagrande em 1994, após passagem pelo Flamengo. Sua família é dona de uma conhecida rede de papelaria e ele já geriu diversos clubes, como o Noroeste, de Bauru (SP).
Sua lista de clientes é impressionante, há dezenas de famosos, alguns deles com passagem ou que estão no elenco do Corinthians, como o atacante André, o zagueiro Cleber, Guilherme Arana, Guilherme Romão, Lucca, Rene Junior, Vilson, Malcom, Rildo, Maycon, Petros, entre tantos outros. Ele também agencia William Pottker (Internacional) e Felipe Mello (Palmeiras).