A maioria dos clubes da Série A do Brasileiro diz ser favorável ao uso do VAR (sigla em inglês para o árbitro assistente de vídeo) na próxima edição do torneio. A implementação da tecnologia será discutida no conselho técnico nesta sexta (22), no Rio de Janeiro.
Unanimidade, o VAR divide os clubes num ponto: quem pagará a conta. Seis clubes se mostram previamente dispostos a arcar integralmente com os custos. Estão na lista, ao lado de Grêmio e Palmeiras, quatro equipes de orçamento inferior: Avaí, Bahia, Chapecoense e Fortaleza.
Mesmo que seja necessário arcar com as despesas, eles dizem fazer questão de que haja o auxílio da tecnologia em todos os jogos do torneio.
"O Fortaleza aceita pagar o valor porque tememos ser prejudicados. A tendência é a gente ser prejudicado, porque somos um time menor do que os demais concorrentes. Historicamente, um time menor é prejudicado em relação à arbitragem. Não é nem questão de maldade, mas, na hora da dúvida, é contra o lado mais fraco", disse o presidente do clube tricolor, Marcelo Paz.
A CBF contratou a Ernest & Young para buscar empresas interessadas em operar o sistema do VAR. As opções só serão apresentados na reunião, mas o custo estimado é de R$ 40 mil por jogo. O valor seira menor do que o proposto em 2018, quando cada equipe pagaria R$ 50 mil por partida.
Se o pagamento ficar com os clubes, cada um terá de desembolsar um valor total de R$ 760 mil para suas 19 partidas como mandante.
O impacto não seria o mesmo para todos. Os R$ 760 mil representam 0,1% das receitas programadas para 2019 no orçamento do Flamengo (R$ 750 milhões). No caso do CSA, de volta à primeira divisão após 31 anos, o valor gasto no VAR seria o equivalente a 1,9% das receitas previstas para o ano (R$ 40 milhões).
No ano passado, o modelo foi rejeitado. Só sete equipes (Bahia, Botafogo, Chapecoense, Flamengo, Grêmio, Internacional e Palmeiras) votaram a favor da tecnologia custeado pelos participantes do Campeonato Brasileiro.
A CBF afirmou que não assumiria o financiamento, e o projeto foi engavetado. No último balanço financeiro publicado, com dados de 2017, a confederação teve superávit de R$ 50 milhões.
Agora, novamente, já há os que torcem o nariz para a hipótese de ter que bancar a tecnologia nos jogos no Nacional. O CSA, por causa de seu já referido orçamento limitado, avisou que não pretende contribuir. Assim, como o Athletico-PR.
"Não posso deixar de investir quase R$ 1 milhão no clube para fazer esse pagamento. Se a CBF entende que o árbitro de vídeo dá mais segurança para o campeonato, ela tem que custear", disse o presidente da equipe alagoana, Rafael Tenório.
O CSA é exceção entre os tidos com menor orçamento da elite do Brasileiro.
"Serei a favor mesmo que o Bahia tenha que pagar, porque o prejuízo é muito maior com os erros da arbitragem. É uma recorrência muito grande, que gera prejuízo econômico. Fiz um estudo bem racional no ano passado e vi que o Bahia é mais prejudicado do que favorecido", afirmou o presidente Guilherme Bellintani.
Bellintani não deixou de fazer a ressalva de que o custo deveria ser da CBF, pedido repetido por quase todos os dirigentes. Só quem não parece preocupado com o gasto é o presidente do Avaí, Francisco José Battistotti.
"Não importa o preço. Para o Avaí, não custa caro. O Avaí vai pagar tranquilamente", disse Battistotti, outro preocupado com o tratamento reservado às equipes menores.
"Em 2017, fomos prejudicados em jogos importantes e perdemos R$ 27 milhões de cota de televisão com o rebaixamento. Nesta edição, estamos entre os oito candidatos que brigam contra o descenso. Os que não vão querer pagar são os 12 [de maior torcida e orçamento]que estão na parte de cima", acrescentou o cartola.
Antes da reunião que discutirá a implantação do VAR na Série A, o cenário é este: seis clubes topam pagar integralmente (Avaí, Bahia, Chapecoense, Fortaleza, Grêmio e Palmeiras), dois aceitam pagar alguma parte do valor (Goiás e Cruzeiro), sete dizem que analisarão a proposta (Atlético-MG, Botafogo, Ceará, Flamengo, Fluminense, São Paulo e Vasco) e dois já se mostram contrários a qualquer contribuição (Athletico-PR e CSA).
Corinthians, Internacional e Santos não responderam até o momento.
O dinheiro não será o único ponto discutido nesta sexta. Há dirigentes que defendem a disponibilização dos áudios das conversas entre o árbitro de campo e aquele que analisa os vídeos na cabine.
Romildo Bolzan, presidente do Grêmio, adiantou que fará esse pedido e solicitará que os próprios vídeos utilizados pelo VAR sejam liberados para consulta posterior. Lásaro Cândido da Cunha, vice-presidente do Atlético-MG, engrossa esse requerimento.
"Vamos propor alguns ajustes, como os times terem acesso aos vídeos e áudios da cabine. Isso pode ser usado em recursos e até para aprimorar o processo", disse Cunha.