Uma tempestade solar rara elevou os níveis de radiação acima da Terra em novembro e expôs riscos inesperados para aeronaves, além de lacunas nos sistemas de alerta da aviação. Em 11 de novembro de 2025, um surto de partículas de alta energia atingiu a atmosfera e alcançou o nível do solo.
O evento foi o 77º realce de nível do solo jamais registrado e o maior em quase duas décadas. Para a maioria das pessoas, o dia passou normalmente, mas para pesquisadores de clima espacial, foi o momento para o qual anos de preparação apontavam.
Instrumentos inéditos capturam o fenômeno
Pesquisadores da Universidade de Surrey usaram uma rede inédita de sensores para estudar o evento. Quatro monitores de nêutrons recém-comissionados funcionavam em pontos estratégicos do Reino Unido: Lerwick, Guildford, Lancaster e Camborne. Balões meteorológicos equipados com sensores de radiação foram lançados minutos após os primeiros alertas.
Dois Boeing 777 em rotas transatlânticas saindo de Londres Heathrow também carregavam o mesmo tipo de sensor. Segundo pesquisador da Universidade de Surrey, o momento em que todos os sistemas operaram juntos durante o maior realce observado em quase 20 anos forneceu um conjunto de dados incrivelmente raro e a visão mais completa já obtida desse tipo de evento.
A geografia intensifica a radiação
Os dados revelaram algo que modelos uniformes de risco de radiação têm dificuldade em capturar: a geografia importa. Em Lerwick, o monitor de nêutrons registrou um aumento de 150% em relação aos níveis de fundo no pico do evento. O local fica mais perto do Polo Norte, onde a radiação incide com maior intensidade.
Lancaster, 700 quilômetros ao sul, apresentou aumento de 24%, e guildford e Camborne, ainda mais ao sul, registraram aumentos de 14% e 12%, respectivamente. A radiação não se distribuiu uniformemente pela atmosfera, e ela atingiu o norte com intensidade muito maior e diminuiu conforme a latitude diminuía.
Altitude amplifica os riscos
Os dados dos balões mostraram que a altitude também amplia a exposição. Jatos executivos voam tipicamente mais alto que aviões comerciais. Em altitudes acima de Lerwick, os níveis de radiação ultrapassaram o limite de alerta "moderado" da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) várias horas após o pico da tempestade.
Em altitudes associadas ao voo supersônico, as leituras chegaram ao dobro do limite de alerta "severo" da OACI. Um dos pesquisadores da Universidade de Surrey disse que o primeiro balão lançado de Lerwick registrou níveis elevados de radiação na alta atmosfera. O dado mostrou como esses eventos variam geograficamente e reforçou a importância de sistemas de monitoramento coordenados.
Lacunas no sistema de aviação
Os voos comerciais registraram níveis de radiação mais moderados, mas isso não elimina os riscos. Um voo Heathrow-JFK, que decolou às 11:45 UTC durante o pico da tempestade, e um voo posterior Heathrow-Newark sugerem que o momento em relação ao pico do evento influencia a exposição à radiação.
Nenhum voo ultrapassou os limiares de alerta da OACI, mas o voo anterior chegou perto do limite moderado. Existe um intervalo entre o acionamento do alerta e o recebimento da informação pelos pilotos. Esse é o foco atual da pesquisa e mostra por que sistemas de monitoramento coordenados em tempo real são essenciais para a segurança da aviação.