Biologia

Enquanto humanos vivem 72 anos, esta tartaruga tem quase 200 e pode revelar o segredo da longevidade

Um estudo recente analisou seu genoma.

Jonathan, uma tartaruga-gigante de Aldabra, completou cerca de 194 anos — aproximadamente um século acima do limite superior típico da espécie. Um estudo recente analisou seu genoma para investigar como ele mantém a vitalidade enquanto os órgãos envelhecem e encontrou nos genes pistas sobre essa longevidade.

Os marcadores químicos que regulam a ativação e a desativação dos genes de Jonathan permaneceram tão organizados quanto os de uma tartaruga de 5 anos.

Embora esses marcadores tendam a se desorganizar progressivamente com a idade em outros animais. Jonathan preservou essa ordem em um grupo específico de genes ligados à produção de energia nas células — um padrão que pode explicar sua longevidade.

Genes únicos de longevidade

A análise do genoma de Jonathan revelou 287 variantes genéticas relacionadas à longevidade que não aparecem em nenhum outro animal estudado até agora. Programas computacionais identificaram 41 dessas variantes como possivelmente importantes para a longevidade. Muitas delas codificam proteínas que reparam DNA danificado, protegem as extremidades dos cromossomos e controlam a formação de tumores.

Um achado particularmente notável impressionou os pesquisadores: Jonathan possui 10 cópias de um gene que produz perforina, uma proteína que permite às células imunológicas eliminar células desgastadas e cancerosas. Lonesome George, uma tartaruga-gigante das Galápagos cujo genoma foi sequenciado em trabalhos anteriores, tinha apenas sete cópias desse mesmo gene. Essa redundância genética funciona como proteção extra contra o envelhecimento celular.

Como o DNA envelhece diferentemente

Os cientistas usaram "relógios epigenéticos" — pequenas marcações químicas ao longo do DNA que indicam padrões de envelhecimento — para comparar Jonathan com outras tartarugas-gigantes de Aldabra. Enquanto a maioria dos animais mostra crescente desorganização dessas marcações com a idade, Jonathan manteve a ordem em genes cruciais para a energia celular.

O estudo comparou Jonathan com quatro outros indivíduos da mesma espécie: uma tartaruga de 5 anos, outra de 12, e dois machos que já eram adultos em 1969. Nos demais animais, a desorganização dos marcadores aumentava conforme a idade avançava. Jonathan apresentava a maior desorganização geral do DNA — mas não nos genes que mais importavam para sua sobrevivência.

Metabolismo lento e a fórmula da longevidade

Justin Gerlach, pesquisador da Universidade de Cambridge, aponta que tartarugas-gigantes têm taxa metabólica inferior à dos humanos, o que pode reduzir danos celulares acumulados ao longo do tempo. Essa característica fisiológica, combinada com as variantes genéticas especiais de Jonathan, pode explicar como ele ultrapassou tão amplamente a idade média global de 72 anos.

Sabe-se que Jonathan hatched por volta de 1.832 e chegou à ilha de Santa Helena já adulto, como presente ao governador. Sua idade foi calculada a partir de uma fotografia de 1.882 que o mostra já em fase adulta. Desde então, viveu principalmente nos jardins da residência do governador, tornando-se o vertebrado terrestre vivo mais antigo conhecido.

Desafios na pesquisa e perspectivas futuras

A pesquisa foi liderada pela organização sem fins lucrativos Kallel, fundada por Stephen Clark em Nashville. Pesquisadores da Universidade de Cambridge e do Centro Médico Universitário de Vanderbilt foram coautores do estudo.

A coleta de material genético enfrentou desafios. O Governo de Santa Helena proibiu a coleta de sangue por segurança, então os pesquisadores rasparam a boca do animal enquanto alguém o distraía com comida.

Embora o estudo forneça pistas sobre longevidade, os cientistas reconhecem limitações. Sem amostra de sangue, não foi possível validar se as 287 variantes genéticas identificadas funcionam como os programas computacionais previram no corpo de Jonathan. Por isso, as descobertas ainda são previsões que precisam de validação biológica.

Conforme informou ao Earth.com, Stephen Clark observou que os resultados destacam a importância das mitocôndrias no envelhecimento, apontando que um percentual significativo dos mecanismos estáveis identificados envolvia função mitocondrial. A Kallel planeja continuar estudando espécies de vida longa para identificar outras rotas para longevidade e espera iniciar testes em humanos com medicamentos genéricos voltados para os caminhos que encontrar.

O estudo completo foi publicado no periódico Science Advances. Os autores ressalvam que os dados não podem provar a relação proposta, porque as amostras de saliva forneceram dados limitados: permitiram comparar apenas cerca de 10% dos marcadores genéticos em cinco animais.

Mais estudos serão necessários para determinar se esses padrões são exclusivos das tartarugas-gigantes de Aldabra ou oferecem pistas mais amplas sobre como os animais envelhecem.

Limites para aplicar as descobertas a outros animais

Os pesquisadores ainda não sabem se os padrões encontrados em Jonathan são exclusivos dele, peculiares às tartarugas-gigantes de Aldabra ou se refletem mecanismos gerais de longevidade compartilhados por muitas espécies.

Eles compararam Jonathan apenas com quatro tartarugas da mesma espécie, e as análises cobriram cerca de 10% dos marcadores genéticos desses animais, e a maior parte do genoma continua sem análise.

Além disso, a falta de amostra de sangue impediu validar se as 287 variantes genéticas identificadas funcionam como os programas computacionais previram. Outros estudos terão de confirmar se esses mecanismos operam no corpo de Jonathan e se também existem em outros indivíduos ou espécies.

Reflexão fundamental

Vencedor do Nobel de Literatura deixou uma reflexão sobre a tristeza de esperar pela paz

Ele refletiu sobre um grande questionamento incômodo do envelhecimento

13/10/2026 11h05

Imagem: Joaquín Sorolla / Banco de España / Wikimedia Commons.

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José Echegaray, dramaturgo, político e vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, refletiu sobre uma questão incômoda do envelhecimento: a velhice traz a tranquilidade capaz de compensar os anos de luta e sacrifício? Segundo o El Confidencial, essa foi a reflexão do escritor.

A reflexão de Echegaray toca um paradoxo: a idade avança, mas a paz que muitos esperam encontrar nas experiências acumuladas não é garantida. Para Echegaray, o maior desalento estava em ver os anos passarem sem que a tranquilidade chegasse. A reflexão resume a decepção de quem dedicou décadas à construção de um futuro melhor.

A sabedoria que nem sempre traz paz

A vida é marcada por sacrifícios, decisões e lutas recorrentes. Na juventude e na vida adulta, o foco costuma estar em alcançar objetivos profissionais, sociais e materiais — metas que exigem esforço e dedicação contínuos. A sensação de progresso, quando chega, oferece alívio temporário, mas não garante o repouso duradouro que tantos procuram.

Echegaray reconhecia que a maturidade traz uma sabedoria especial: a compreensão das escolhas que moldaram o caminho percorrido. Olhar para trás e perceber como acertos, erros e decisões levaram ao progresso pessoal gera uma paz duradoura.

No entanto, essa tranquilidade não chega automaticamente com o passar dos anos; ela depende, em grande medida, de como cada pessoa integra suas experiências ao longo da vida.

 

A recompensa adiada que pode nunca chegar

A inquietação descrita por Echegaray reflete uma realidade que atravessa gerações. Muitos dedicam décadas à construção de um futuro melhor, adiando o descanso em nome de metas profissionais ou familiares. Quando a velhice chega, nem sempre traz a recompensa esperada: a paz fica distante, e o tempo já passou.

Para Echegaray, a tranquilidade não é um presente automático da idade, mas algo que precisa ser cultivado ao longo da vida. Isso exige atenção às experiências vividas e ao sentido que se tira delas — um trabalho que muitos deixam para depois, apenas para descobrir que o momento passou.

A reflexão de Echegaray indica que esperar pela paz nos anos finais pode ser uma aposta perdida sem cultivar essa paz ao longo de toda a vida.

Intrigante

Estudante descobre 3 galáxias e pode ajudar a resolver um mistério que intriga cientistas há décadas

Estas galáxias desafiam as regras conhecidas de formação estelar

13/10/2026 10h44

Foto: NASA/Unsplash

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Julian Shapiro descobriu três galáxias anãs peculiares próximas à galáxia espiral M101 durante uma pesquisa sobre formação estelar, ainda no ensino médio. As galáxias desafiam as regras conhecidas de formação estelar e receberam os nomes Shapiro I, II e III, e hoje, Shapiro estuda astrofísica em Berkeley.

O achado transformou Shapiro em referência para outros jovens interessados em astrofísica. Ele publicou a pesquisa no The Astrophysical Journal e continua estudando as galáxias em sua formação universitária em Berkeley, sob orientação do astrofísico Alexei Filippenko. Filippenko trabalha com medições cosmológicas que resultaram em definições divergentes da constante de Hubble.

Por que as galáxias anãs importam

Galáxias anãs são importantes para entender a evolução galáctica no universo. Elas podem ter de mil estrelas a alguns bilhões e assumir formas diversas, como elípticas, esferoidais, irregulares e pequenas espirais. Os astrônomos sugerem que se formam quando duas galáxias colidem e lançam material ao espaço intergaláctico. Esse material depois se aglomera e forma uma galáxia anã.

Essas estruturas podem existir isoladas ou como satélites de galáxias maiores, como a Via Láctea. A expectativa é que galáxias anãs isoladas formem estrelas ativamente, porque não há uma galáxia maior por perto para retirar seu gás. As três descobertas por Shapiro, porém, não seguem esse padrão.

Uma delas, a galáxia anã Shapiro II, está tão próxima da galáxia espiral NGC 5585 que poderia ser seu satélite, em vez de ter interagido com M101.

Um mistério de décadas começa a ganhar resposta

As galáxias de Shapiro podem estar entre os primeiros candidatos identificados a galáxias de rebote (*backsplash*), que passaram perto de uma galáxia maior, tiveram o gás arrancado pela pressão gravitacional e depois foram lançadas para o exterior.

Essas galáxias de rebote deveriam ser comuns no universo, segundo o modelo cosmológico de matéria escura fria com constante cosmológica. Encontrá-las, porém, continuava difícil, e para realizar o trabalho, Shapiro usou dados públicos de arquivos de telescópios, incluindo imagens do Sloan Digital Sky Survey. Do Hyper Suprime-Cam Legacy Archive, do Observatório Astronômico Nacional do Japão e do Telescópio Canadá-França-Havaí.

Por meio de simulações, Shapiro deduziu que algo externo às três galáxias deve ter influenciado sua baixa taxa de formação estelar. Ele espera medições de acompanhamento com telescópios espaciais de alta resolução para confirmar se elas são galáxias de rebote. Também espera que o novo Observatório Vera C, e rubin revele muitos candidatos semelhantes aos que descobriu.

Inspiração para a próxima geração

O trabalho de Shapiro ganhou reconhecimento com a bolsa Davidson, recebida durante seus estudos no ensino médio. Filippenko elogiou a sofisticação da pesquisa e disse que ela era notavelmente avançada para alguém que ainda não estava na universidade.

Segundo o El Confidencial , Shapiro afirmou que seu trabalho pode inspirar jovens interessados em astrofísica. Ele disse que os currículos escolares oferecem apenas introduções limitadas à astronomia e que os estudantes têm dificuldade para encontrar mentores e adquirir experiência na área.

Também afirmou que seu artigo mostra como dados públicos de arquivos de telescópios são uma ferramenta fundamental para novas descobertas sobre a cosmologia. E a evolução do universo, e que jovens astrônomos são capazes de fazer esse tipo de descoberta.

A descoberta reforça que dados públicos de telescópios são ferramentas essenciais para a cosmologia e que jovens pesquisadores podem contribuir para o entendimento do universo. O caso também desafia a ideia de que descobertas científicas dependem exclusivamente de instituições estabelecidas ou pesquisadores experientes.

Como o "rebote" galáctico desativa a formação estelar

Quando uma galáxia anã passa perto de uma vizinha maior, não precisa colidir frontalmente para ser afetada. A pressão gravitacional da galáxia maior funciona como um vento cósmico invisível e arranca o gás da menor, combustível necessário para formar novas estrelas.

Depois dessa "mordida" gravitacional, a galáxia anã é lançada para longe e fica isolada no espaço, mas sem o gás necessário para formar estrelas.

É como um fruto que perde a polpa, mas continua caindo: por fora, parece intacto e isolado; por dentro, está vazio. As três galáxias Shapiro parecem isoladas, sem uma galáxia grande visível por perto, mas estão "apagadas" e não formam estrelas porque perderam o gás no passado.

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