A corrida para desenvolver uma inteligência artificial capaz de superar os seres humanos em praticamente todas as tarefas levanta uma questão decisiva: quem controlará uma tecnologia tão poderosa? Sam Altman, CEO da OpenAI, apresentou a seus funcionários três cenários possíveis para o futuro da superinteligência, incluindo um que classificou como "terrível".
As alternativas foram relatadas pelo veículo especializado The Information, em uma reportagem publicada em 19 de outubro de 2026, com base em relatos de pessoas familiarizadas com a conversa interna. As propostas vão da criação de um órgão internacional de fiscalização à concentração extrema de poder nas mãos de uma única empresa.
O debate evidencia um dilema da indústria: como reduzir os riscos de sistemas cada vez mais avançados sem que a competição entre empresas impeça a cooperação necessária para estabelecer limites de segurança.
Os três cenários apresentados por Sam Altman
1. Um órgão internacional para fiscalizar a inteligência artificial
A primeira possibilidade seria criar uma organização internacional inspirada na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), responsável por atividades de monitoramento relacionadas ao uso da energia nuclear.
Adaptado à inteligência artificial, esse modelo poderia estabelecer padrões de segurança, realizar inspeções e acompanhar o desenvolvimento de sistemas avançados. A proposta exigiria cooperação entre governos e empresas de diferentes países, inclusive daqueles que disputam a liderança tecnológica.
Altman já havia defendido publicamente uma iniciativa semelhante em 2023, quando ele e outros líderes da OpenAI argumentaram que o desenvolvimento da superinteligência poderia exigir uma instituição internacional capaz de fiscalizar os sistemas mais avançados. Segundo a reportagem, essa foi a alternativa que ele pareceu apoiar durante a conversa com os funcionários.
2. Os principais laboratórios se uniriam em uma espécie de CERN da IA
A segunda alternativa seria reunir os principais laboratórios de inteligência artificial em uma organização conjunta, inspirada no CERN, centro europeu de pesquisa em física de partículas que reúne a colaboração de diversos países.
Nesse cenário, empresas que hoje competem entre si poderiam trabalhar por meio de uma estrutura compartilhada para desenvolver sistemas avançados sob regras comuns de segurança. A organização também poderia disponibilizar modelos aos países participantes.
A proposta foi descrita por Altman como o plano "Demis", em referência a Demis Hassabis, líder do Google DeepMind, que já havia sugerido uma iniciativa de colaboração internacional para pesquisas de ponta.
Uma estrutura desse tipo exigiria um nível elevado de coordenação entre empresas com interesses comerciais próprios. Para a OpenAI e seus concorrentes, isso representaria uma mudança profunda na maneira como a tecnologia é desenvolvida e controlada.
3. Uma única empresa concentraria o poder e bloquearia os concorrentes
O terceiro cenário é o mais preocupante dos apresentados por Altman. Nele, uma empresa desenvolveria uma inteligência artificial capaz de se aprimorar recursivamente, ou seja, de contribuir para melhorar suas próprias capacidades, acelerando potencialmente o avanço tecnológico.
Com a vantagem obtida, essa companhia poderia acumular poder econômico e tecnológico suficiente para impedir que outras organizações alcançassem o mesmo nível. A expressão usada por Altman para descrever essa hipótese foi "derreter as GPUs de todos os outros".
GPUs são processadores fundamentais para treinar e executar muitos sistemas de inteligência artificial. Nesse contexto, a expressão não descreve necessariamente chips sendo derretidos fisicamente, mas a possibilidade de uma empresa dominar ou neutralizar o acesso dos concorrentes à capacidade computacional necessária para desenvolver modelos avançados.
Segundo a reportagem, Altman chamou esse cenário de "terrível" e afirmou que o mencionava para completar a discussão sobre os possíveis caminhos para a superinteligência. A ideia está relacionada a debates anteriores sobre como impedir que diferentes organizações desenvolvam sistemas potencialmente perigosos depois que uma delas alcançar uma vantagem decisiva.


