Por ser mutável, o preço do combustível tem sido uma das maiores dores de cabeça daquelas pessoas que dependem de veículos para se locomover em meio à correria. No entanto, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, surpreendeu a todos ao defender a adoção do E30, que consiste em uma mistura de 30% de etanol anidro à gasolina.
Embora a prioridade seja reduzir o custo do combustível no país para os condutores, a empreitada garante ainda implicações para a economia e meio ambiente, além de fortalecer a segurança energética da nação. Ao longo dos testes realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), ficou confirmada a viabilidade técnica do E30, que tende a reduzir em até R$ 0,13 o litro no preço da gasolina.
Novo combustível em pauta

A princípio, a informação chegou a empolgar os motoristas, mas, para que a mistura seja comercializada nos postos de combustíveis, é necessário ser aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Estima-se que os estabelecimentos terão redução no valor da comercialização da gasolina, evitando a importação de 760 milhões de litros do combustível por ano.
“O Brasil tem todos os instrumentos para liderar a transição energética no mundo. Estamos falando de uma matriz elétrica 90% limpa e renovável, impulsionada por fontes como a hídrica, a solar, a eólica e, também, a biomassa do etanol. Essa política não só reforça nosso protagonismo internacional, como também impulsiona uma nova indústria, que valoriza o agronegócio e a agricultura familiar, gerando emprego, renda e desenvolvimento regional”, avalia Silveira.
Quais são os impactos que o E30 pode causar no Brasil?
A imersão do E30 é vista como um componente-chave na estratégia de descarbonização do Brasil. Em suma, caso a medida seja aprovada, estima-se que seria possível barrar a emissão de 1,7 milhão de toneladas de gases de efeito estufa a cada 12 meses. Isso equivale à retirada de 720 mil veículos das estradas.
Por outro lado, a redução dos impactos ambientais faz parte apenas do extenso rol de benefícios. Sobretudo, a ampliação da demanda por etanol, estimada em 1,5 bilhão de litros, poderá estimular o setor agrícola e industrial, gerando empregos e promovendo o desenvolvimento econômico. O problema é que a mudança de rota prevê investimento de R$ 9 bilhões no setor de biocombustíveis.
Mudanças são analisadas no Governo Federal
Em meio às opções, o Governo Federal estuda aumentar a mistura obrigatória do anidro à gasolina tipo C dos atuais 27% para 30%. Já em relação ao biodiesel, o percentual mínimo do óleo vegetal ao óleo diesel deve passar de 14% para 15%. O ministro de Minas e Energia se mostrou confiante com o avanço das reuniões.
“Isso pode fazer com que o parâmetro de composição de preço da gasolina mude no Brasil. E, como trabalhamos focados em redução de preços, o E30 só tem fatores positivos. Estou fazendo essa defesa dentro do governo para que o E30 entre na próxima reunião do CNPE pelos aspectos sociais e econômicos positivos”, relatou Alexandre Silveira ao Broadcast Agro.



