O “ouro bovino” refere-se ao cálculo biliar encontrado na vesícula de bois, uma substância rara que pode atingir valores impressionantes no mercado internacional, chegando a R$ 300 mil por quilo.
Essa pedra, composta principalmente de colesterol, bilirrubina e sais minerais, se forma ao longo do tempo e é mais comum em animais mais velhos que são criados em sistemas extensivos. A formação dessas pedras é um processo fisiológico que ocorre com o envelhecimento do animal, sendo que apenas uma pequena porcentagem das vacas desenvolve esses cálculos.
A escassez do “ouro bovino” está diretamente relacionada ao modelo produtivo da pecuária brasileira, onde o abate precoce é a norma devido à alta demanda por carne. Essa prática reduz significativamente as chances de formação de cálculos biliares, pois os bois são sacrificados antes que tenham a oportunidade de desenvolver essa substância rara.
O mercado clandestino e suas implicações
O comércio do cálculo biliar bovino é um fenômeno quase invisível, operando em grande parte fora dos canais oficiais. Apesar de não ser proibido, a venda ocorre frequentemente sem regulamentação, o que levanta preocupações sobre a saúde pública e a legalidade das transações.
Muitas vezes, as pedras são extraídas de frigoríficos de forma ilegal, sendo transportadas clandestinamente para o exterior, especialmente para países asiáticos onde a demanda é alta. Casos de apreensão têm chamado a atenção para esse mercado paralelo.
Em uma operação recente, a Polícia Rodoviária apreendeu mais de 1,1 quilo de fel bovino, avaliado em R$ 800 mil, que seria exportado ilegalmente para o mercado asiático. Embora a Anvisa não reconheça propriedades terapêuticas para o cálculo biliar bovino, ele é amplamente utilizado na medicina tradicional chinesa e em algumas culturas asiáticas como um ingrediente valioso.


