No cenário envolto pelo reino animal, dificilmente é possível encontrar criaturas que esbanjem simpatia, especialmente devido ao processo predatório natural. Apesar de não ser comum, há uma espécie que chama atenção por expressar em seu rosto uma silhueta similar a um sorriso. Contudo, a falsa sensação de felicidade dá lugar à atuação solitária em meio à necessidade de sobrevivência na natureza.
O animal descrito é o quokka (Setonix brachyurus), um pequeno marsupial que vive principalmente na Ilha Rottnest e em algumas áreas isoladas da Austrália. Em um primeiro momento, sua aparição pode encantar o público por estampar um “sorriso” simpático. De acordo com especialistas, essa ação não é realizada para atrair a simpatia de outras espécies, já que diz respeito ao formato natural de suas bochechas.

Caricato e dono do status de “animal mais feliz do mundo”, esconde uma verdade oculta durante sua estadia no reino. Com hábitos noturnos, esse mamífero atua de forma predominantemente solitária, passando grande parte do tempo se alimentando de vegetação e se protegendo do calor. A sobreposição diante da feição alegre, na realidade, ganha tons melancólicos.
Ao contrário de espécies mais sociais que caçam ou comem em grupo, os quokkas buscam comida (folhas, gramíneas e suculentas) por conta própria. Na natureza, especialmente na Ilha Rottnest, a escassez de alimentos em certas épocas e a necessidade de diminuir a exposição a predadores favoreceram a continuidade do comportamento mais reservado e individualista.
Os quokkas têm pelagem áspera e marrom, ganhando tonalidade mais clara na barriga. Suas costas são arredondadas, orelhas eretas, patas dianteiras pequenas e patas traseiras longas. Aumentando o prestígio entre os humanos, apresenta cauda com pelos finos e nariz preto e úmido. Uma de suas principais armas diz respeito à velocidade, percorrendo trilhas batidas em meio à grama alta para evitar predadores.
Especialistas redobram cuidados
Assim como centenas de outros animais nativos da Austrália, os quokkas vêm sofrendo declínios acentuados após a chegada da raposa-vermelha ao sudoeste do país no início da década de 1930. As principais ameaças dos mamíferos são: a predação por gatos e raposas selvagens, a perda de habitat, a alteração dos padrões de incêndio e a disseminação de doenças em uma população isolada.
Por outro lado, é válido destacar que o marsupial consegue ajustar sua reprodução conforme as condições ambientais. Em circunstâncias favoráveis, as fêmeas podem se reproduzir com mais frequência, enquanto em situações adversas, como escassez de alimentos ou seca, tendem a atrasar ou até mesmo “pausar” o desenvolvimento embrionário por meio de um processo conhecido como diapausa embrionária.





