O Brasil é mundialmente conhecido por sua diversidade ecológica e cultural, fator que tem colaborado para o aumento da economia com desembarques de turistas. Demonstrando a pluralidade presente em seu solo, um grupo de pesquisadores do Paraná descobriu uma nova espécie de inseto, até então desconhecida. O animal possui a capacidade de andar sobre a água durante toda a vida.
O inseto em questão foi catalogado como Hydrometra perobas, um percevejo semiaquático que, conforme estudos da pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Carla Fernanda Floriano, anda sobre a água. O animal foi encontrado na Reserva Biológica das Perobas, em Tuneiras do Oeste, no noroeste do estado do Paraná.

Para uma melhor compreensão, os insetos aquáticos têm habilidade para viver na superfície da água e são cruciais nos ecossistemas de água doce, servindo como alimento e recicladores de nutrientes. Na prática, possuem a capacidade ainda de pular, correr e patinar sobre o campo sem afundar. Diante desse poder, foram apelidados de “insetos Jesus”, do inglês Jesus bugs.
Curiosamente, a descoberta ocorreu em uma das áreas mais importantes de preservação do bioma Mata Atlântica na região. “Esse organismo tem algumas modificações morfológicas, estruturas morfológicas que, quando a gente compara essa com as outras espécies, a gente nota que não se encaixam em nenhuma daquelas espécies previamente descritas tanto no Brasil quanto nos países vizinhos”, explicou Carla.
Mais detalhes sobre o animal descoberto no Brasil
De modo geral, o inseto, que é predominantemente marrom, segue em análise. Isso porque os pesquisadores ainda não descobriram seu papel e importância para o equilíbrio ecológico. O que se sabe é que esses animais apresentam pelos acetábulos (cavidades no tronco) com mais de dez pontuações circulares e pelo esterno (placa rígida no corpo desses insetos) no abdômen do macho.
Por sua vez, é necessário destacar que o achado somente foi possível graças a um grupo de renomados pesquisadores comprometidos com o meio ambiente. São eles: Carla Fernanda Burguez Floriano, Isabelle da Rocha Silva Cordeiro, Juliana Mourão dos Santos Rodrigues, Nathália de Oliveira Paiva, Ana Carolina Passos e Felipe Ferraz Figueiredo Moreira.
“Num ambiente da Mata Atlântica, na região sul do Brasil, a gente pode imaginar que não tem mais nada a ser descoberto, tudo já foi estudado, tudo já foi descoberto. Então esse trabalho dos pesquisadores da região, das universidades, institutos de pesquisa, mostra que não, a gente tem ainda muito para ser conhecido e descoberto”, disse Antônio Guilherme Cândido da Silva, chefe da Rebio das Perobas.





