O Brasil dará um passo importante no tratamento da esclerose múltipla com o início da fabricação nacional da cladribina oral. A iniciativa resulta de uma parceria entre instituições públicas e privadas para transferir tecnologia e ampliar a oferta do medicamento pelo Sistema Único de Saúde. A medida também reduz a dependência de produtos importados e fortalece a produção farmacêutica nacional.
A terapia é destinada à esclerose múltipla remitente-recorrente, forma mais comum da enfermidade. A doença afeta o sistema nervoso central e costuma atingir principalmente adultos jovens. Entre os sintomas mais frequentes estão alterações visuais, dificuldades motoras, perda de força muscular e fadiga intensa.
Tratamento exige poucos dias de uso
Um dos principais diferenciais da cladribina está na forma de administração. Ao contrário de terapias que exigem aplicações constantes ou medicação diária, o tratamento é realizado em períodos curtos distribuídos ao longo de dois anos. Esse modelo reduz a frequência de intervenções médicas e facilita a rotina dos pacientes.
No primeiro ano, os comprimidos são utilizados durante cinco dias em um mês e mais cinco dias no mês seguinte. O mesmo esquema é repetido no segundo ano. Após essa etapa, muitos pacientes podem permanecer longos períodos sem a necessidade de novos medicamentos específicos para a doença.
O medicamento também se destaca pelo reconhecimento internacional. Atualmente, é o único tratamento para esclerose múltipla presente na lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial da Saúde. Estudos recentes ainda apontaram redução de lesões neurológicas após dois anos de acompanhamento.

Resultados animam especialistas e pacientes
Pesquisas de longo prazo indicam benefícios significativos para a qualidade de vida. Em um acompanhamento realizado durante mais de uma década, a maioria dos pacientes manteve a capacidade de caminhar sem auxílio e não precisou recorrer a cadeira de rodas.
A chegada da medicação à rede pública já começou em algumas regiões do país. Pacientes que antes precisavam comparecer regularmente a hospitais para receber infusões agora contam com um tratamento mais simples e menos invasivo.




