Recentemente, o Peru interrompeu as relações diplomáticas com o México em protesto contra o asilo concedido pela presidente mexicana Claudia Sheinbaum à ex-primeira-ministra Betssy Chávez. Como resultado de um pedido da nação norte-americana, o Brasil assumiu a representação dos interesses diplomáticos do México no território peruano.
A informação foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil neste domingo (25), comunicando à imprensa que está atendendo ao pedido do governo mexicano com o consentimento dos peruanos. Embora muitos questionamentos tenham surgido após a medida tomada, o papel das autoridades brasileiras não contempla exercer poder político sobre o México no Peru.

Na prática, o Brasil somente ficou responsável por cuidar da embaixada mexicana em Lima, incluindo o prédio, os bens e os arquivos. Nesse processo, atuará como uma espécie de intermediário diplomático para que, mesmo sem a existência de relações México-Peru, haja alguém que represente formalmente os interesses dos norte-americanos.
Fazendo parte do protocolo, a bandeira brasileira foi hasteada no prédio onde ficava a embaixada do México, em comum acordo entre as nações. Por sua vez, é válido destacar que a “proteção” dada em questões diplomáticas está prevista no direito internacional (Convenção de Viena de 1961). Isso ocorre quando dois países rompem relações.
“Atendendo à solicitação do governo mexicano, e diante da anuência do governo do Peru, o Brasil assumiu a representação dos interesses diplomáticos do México no território peruano, nos termos dos incisos “b” e “c” do artigo 45 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961. A representação abarca a guarda dos locais da Embaixada do México no Peru, incluindo a residência do chefe de missão, bem como de seus bens e arquivos”, escreveu o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
Entenda a motivação por detrás do rompimento
O encerramento da parceria entre as nações foi decretado ao final do ano passado, quando a presidente do México, Claudia Sheinbaum, concedeu asilo à ex-primeira-ministra peruana Betssy Chávez. Na ocasião, a advogada foi condenada a mais de 11 anos de prisão sob a acusação de rebelião por seu papel em uma iniciativa do ex-presidente Pedro Castillo para dissolver o Congresso em 7 de dezembro de 2022.
Como resultado do asilo entregue, o Congresso do Peru declarou Sheinbaum persona non grata e descreveu a ajuda concedida a Chávez como um ato de interferência em seus assuntos internos. De acordo com relatos, a ex-primeira-ministra está vivendo na embaixada mexicana, com policiais do lado de fora do prédio tentando prendê-la caso ela saia.





