Uma cidade brasileira que por vezes é comparada a Nova York, nos Estados Unidos, encontra dificuldades em terminar obras em andamento. Em São Paulo, prédios de concreto inacabados e cercados por mato alto fazem parte da paisagem. Essas estruturas, que deveriam ter se transformado em equipamentos públicos, acabaram se tornando símbolos de projetos interrompidos e recursos públicos que ficaram pelo caminho.
Dados do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo indicam que existem ao menos 34 obras públicas interrompidas na cidade. Somados, os contratos dessas construções ultrapassam R$ 542 milhões. O cálculo considera apenas os valores originalmente previstos, sem incluir despesas adicionais com segurança, conservação ou eventuais custos para retomar os projetos no futuro.
Um dos casos mais antigos fica na Avenida Engenheiro Caetano Álvares, no bairro do Mandaqui, na zona norte da capital. Ali, três prédios que deveriam abrigar uma sede da Polícia Militar do Estado de São Paulo começaram a ser construídos no final da década de 1980, em uma área ligada à Escola Superior de Soldados do Barro Branco. No entanto, a obra foi interrompida em 1992 e nunca foi concluída.
São Paulo tem várias obras inacabadas pela cidade
Apesar de abandonado, o espaço ainda conta com vigilância permanente e guarita de controle. Moradores da região afirmam que a área poderia ter outro uso público, como equipamentos de educação, saúde ou lazer. Em resposta a questionamentos anteriores, a Polícia Militar informou que a empresa responsável pela construção faliu e que o contrato acabou sendo encerrado.
Outro exemplo de obra interrompida está ao lado do Fórum da Barra Funda, na zona oeste da cidade. O prédio pertence ao Ministério Público do Estado de São Paulo e teve a construção suspensa em 2023 após surgirem suspeitas de irregularidades e problemas nas medições da obra. Segundo o TCE, em todo o estado existem atualmente 267 obras públicas paralisadas, que somam contratos superiores a R$ 1,33 bilhão.





