O Brasil é composto por 5.570 cidades e em poucos casos foi possível se deparar com um cenário de tamanha oscilação, assim como ocorreu com Manaus. Sobretudo, em cerca de um século, a capital amazônica prosperou ao ponto de acumular riquezas sem precedentes, mas entrou em declínio iminente devido à falta de governança.
Embora o governo sirva para garantir o bem-estar social, a ordem, a segurança e o desenvolvimento econômico e político da sociedade, nem sempre o poder esteve concentrado nas mãos corretas. O declive e a ascensão são polos opostos que podem ser alcançados desde que o equilíbrio seja extinguido. Por incrível que pareça, a população da cidade do Norte brasileiro conheceu os dois extremos.

Do prestígio ao descenso nacional
Ao final do século XIX e início do século XX, Manaus se tornou o epicentro do Ciclo da Borracha, fator que causou uma dinâmica invejável em meio à exploração e comércio do látex. Como resultado da disputa do látex amazônico por diversas potências industriais, o dinheiro passou a circular em volumes elevados, o que não era comum para a época.
Por consequência da dinâmica operacional, a cidade ganhou investimentos na infraestrutura, fator que coroou projetos que, outrora, eram vistos somente no Velho Continente. Para uma melhor compreensão, a capital da Amazônia tornou-se símbolo de modernidade em plena floresta, façanha que era sustentada por uma única fonte de riqueza.
No entanto, por depender unicamente do látex para rotacionar os investimentos, o município encontrou grande dependência. Nesse mesmo período, a borracha começou a ser produzida em larga escala no Sudeste Asiático, detalhe que fez total diferença no enfraquecimento do mercado amazônico diante da perda da competitividade mundial.
Como não poderia ter sido diferente, várias empresas que dependiam do látex precisaram fechar as portas, o que culminou na ausência de investimentos e saída de grandes empresários da região. O declínio serviu de exemplo para as autoridades, que eram vistas como imbatíveis, mas entraram em uma queda drástica, decretando falência econômica em um intervalo surpreendentemente curto.
O que aconteceu com a cidade?
Assim como toda derrota requer uma nova postura, depois que o colapso foi destacado, Manaus enfrentou décadas de estagnação e isolamento. Como resultado das crises enfrentadas por investidores e sociedade, o município ficou distante dos grandes centros, sem infraestrutura de integração e com pouco apoio para se reinventar.
O problema é que o crescimento populacional não foi interrompido, sem que uma nova alternativa para voltar a se reerguer fosse colocada na mesa. Dessa forma, o poder que antes era cobiçado por vários outros estados brasileiros foi desfarelado das mãos, evidenciando um contraste com problemas urbanos e sociais que se agravaram ao longo do tempo.
Porém, na década de 1960, foi criada a Zona Franca de Manaus, a fim de atrair indústrias, gerar empregos e integrar a região à economia nacional. Ainda que estivesse longe do prestígio dos momentos áureos, o modelo trouxe resultados importantes, com fábricas, empregos formais e novo fôlego econômico. Atualmente, grande parte da atividade industrial local depende diretamente desse sistema de incentivos.




