Às vésperas de receber jogos da Copa do Mundo de 2026, a Cidade do México enfrenta um problema crescente e visível até do espaço: o solo da capital mexicana está afundando em ritmo acelerado. Dados recentes divulgados pela NASA mostram que algumas regiões chegam a registrar mais de 2 centímetros de rebaixamento por mês, o que acende um alerta sobre os desafios estruturais da cidade.
As informações foram obtidas pelo satélite NISAR, um projeto conjunto entre Estados Unidos e Índia. Equipado com tecnologia de ponta, o equipamento consegue monitorar mudanças no solo em tempo real, independentemente de condições como nuvens ou cobertura vegetal. “É basicamente a documentação de todas essas mudanças dentro de uma cidade. Você consegue ver toda a magnitude do problema”, disse o cientista Paul Rosen à AP News.

O monitoramento também permite entender melhor a dimensão do problema, que não é recente, mas se intensifica ao longo dos anos. As medições mostram que o afundamento ocorre de forma irregular, atingindo diferentes regiões com intensidades distintas, o que dificulta ações uniformes de contenção. A principal causa do fenômeno está na extração intensiva de água subterrânea.
Cidade-sede da Copa do Mundo enfrenta dilema com o solo
Construída sobre o leito de um antigo lago, a capital mexicana sofre há décadas com essa condição. A retirada contínua de água reduz o volume dos aquíferos, comprometendo a sustentação do solo. O crescimento urbano acelerado também contribui, ao aumentar a pressão sobre a superfície. Os impactos já são sentidos na infraestrutura urbana. Sistemas de transporte, redes de drenagem e abastecimento de água apresentam falhas, enquanto construções históricas acumulam danos estruturais.
Diante desse cenário, o desafio será garantir segurança e estabilidade para moradores e visitantes durante um evento global de grande porte. “Isso danifica parte da infraestrutura crítica da Cidade do México, como o metrô, o sistema de drenagem, o abastecimento de água potável, as moradias e as ruas. É um problema muito grande”, afirmou Enrique Cabral, pesquisador da Universidade Nacional Autônoma do México, à AP News





