Cientistas da Nasa identificaram uma bactéria capaz de sobreviver a condições extremas e que poderia, teoricamente, viajar até Marte. Descoberta em 2013 durante inspeções de rotina em salas limpas da agência, a bactéria se destaca por sua capacidade de “fingir de morta”, entrando em um estado de dormência profunda que reduz drasticamente sua atividade metabólica.
A bactéria foi identificada como Tersicoccus phoenicis, considerada inofensiva para humanos, mas altamente resistente. Cada célula mede cerca de um micrômetro e foi encontrada em laboratórios localizados a milhares de quilômetros um do outro, mas abrigando o mesmo microrganismo.
O nome da espécie faz referência ao formato arredondado das células, às salas limpas e ao módulo Phoenix Mars, em desenvolvimento no Centro Espacial Kennedy, nos Estados Unidos. A descoberta chamou atenção da comunidade científica por demonstrar que microrganismos terrestres podem persistir em ambientes que deveriam ser estéreis.

Resistência e implicações para exploração espacial
As salas limpas da Nasa possuem controle rigoroso de temperatura, umidade e qualidade do ar, filtros HEPA, fluxo de ar positivo, luz ultravioleta e produtos químicos para eliminar microrganismos. Mesmo assim, a Tersicoccus phoenicis e outras espécies microbianas conseguem sobreviver.
A hipótese de que a bactéria possa chegar a Marte se baseia em sua capacidade de permanecer dormente por longos períodos. Microrganismos semelhantes já foram encontrados na parte externa da Estação Espacial Internacional, suportando vácuo, radiação e temperaturas extremas.
O estudo publicado na revista Microbiology Spectrum mostra que a habilidade de “fingir de morta” permite que a bactéria resista a condições extremas, abrindo discussões sobre os limites da vida terrestre e os cuidados necessários em missões interplanetárias para evitar contaminação.





