Painéis solares podem ficar mais eficientes, baratos e rápidos de fabricar graças a uma descoberta que promete acelerar o futuro da energia limpa. Pesquisadores europeus desenvolveram uma técnica capaz de produzir células solares de nova geração em poucos minutos, superando uma das principais barreiras que impedia a adoção em larga escala da tecnologia baseada em perovskita.
O avanço envolve os chamados painéis solares tandem, considerados uma das apostas mais promissoras do setor. Diferentemente dos modelos tradicionais, essas células combinam duas camadas semicondutoras: o silício, já amplamente utilizado no mercado, e a perovskita, material capaz de capturar comprimentos de onda diferentes da radiação solar. A união permite aproveitar uma parcela maior da energia emitida pelo Sol.

Até agora, o principal desafio estava na fabricação. Embora a perovskita apresente desempenho elevado em laboratório, produzir camadas ultrafinas em escala industrial sempre foi complexo, caro e pouco eficiente. Um grupo de cientistas do Karlsruhe Institute of Technology e da Universidade de Valência anunciou ter encontrado uma solução: um método ultrarrápido a vácuo, livre de solventes, capaz de fabricar células tandem com eficiência de 24,3% em apenas dez minutos.
Cientistas encontram forma de melhorar produção de painéis solares
Segundo os pesquisadores, o novo sistema alcança uma velocidade de deposição cerca de dez vezes superior à dos métodos convencionais, além de reduzir desperdícios e custos industriais. A técnica, chamada de Sublimação em Espaço Fechado (CSS), funciona como um forno microscópico onde materiais evaporam e se depositam diretamente sobre a célula de silício, formando a camada de perovskita de maneira controlada.
Os cientistas ainda precisaram resolver outro obstáculo: estabilizar o bromo, elemento essencial para melhorar o desempenho energético da perovskita. A solução surgiu com a criação de uma mistura específica de compostos químicos, permitindo manter a estrutura adequada do material e atingir níveis ideais de eficiência. O resultado pode aproximar a indústria de uma nova geração de painéis solares mais potentes e acessíveis.


