Quem pretende tirar a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A e B precisa passar por uma nova exigência que pode impedir a emissão do documento: o exame toxicológico. A regra, aprovada pelo Congresso Nacional em dezembro de 2025, amplia o controle sobre o uso de substâncias psicoativas entre futuros motoristas e exige resultado negativo para liberação da habilitação.
O teste consegue identificar o consumo de drogas ocorrido meses antes da coleta, utilizando amostras de cabelo, pelos ou unhas. Diferentemente de exames de sangue ou urina, o toxicológico de larga janela analisa um histórico mínimo de 90 dias, podendo alcançar até 180 dias. Caso qualquer substância proibida seja encontrada dentro do período analisado, o resultado é considerado positivo e o candidato pode ser reprovado no processo para obtenção da CNH.

Dados da Secretaria Nacional de Trânsito mostram que, entre 2021 e 2025, a cocaína foi a substância mais detectada nos exames realizados com motoristas profissionais das categorias C, D e E, aparecendo em cerca de 87% dos resultados positivos. Na sequência surgem opiáceos (7%), anfetaminas (4%) e maconha (2%). Especialistas explicam que a liderança da cocaína está relacionada à forma como a droga é metabolizada.
Exame toxicológico passa a ser obrigatório para tirar a CNH
Segundo a médica Aryadyne Bueno, em entrevista ao portal G1, cabelos e unhas funcionam como verdadeiros “arquivos biológicos”, permitindo rastrear o consumo de substâncias semanas ou meses após o uso. A profissional afirma que esse método apresenta maior capacidade de detecção em comparação com exames tradicionais, aumentando a confiabilidade dos resultados.
Para realizar o exame, o candidato precisa agendar atendimento em laboratório credenciado, fazer a coleta da amostra biológica e aguardar a análise técnica antes da emissão do laudo. O processo segue normas rígidas de rastreabilidade e cadeia de custódia para evitar fraudes ou contaminações. Com a nova regra, além das provas teóricas e práticas, futuros condutores terão mais uma etapa obrigatória para tirar a carteira.



