A Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregou um manifesto ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), demonstrando preocupação com o avanço das propostas que preveem o fim da escala 6×1. O documento reúne o posicionamento de federações, associações e sindicatos industriais, destacando possíveis impactos econômicos caso haja mudanças na jornada de trabalho sem debate técnico.
A discussão ganhou um novo capítulo com a instalação da comissão especial que vai analisar o tema. O colegiado será presidido pelo deputado federal Alencar Santana (PT), enquanto a relatoria ficará com Léo Prates (Republicanos). Caberá ao relator consolidar um texto-base a partir das propostas em tramitação ou apresentar uma nova versão, desde que consiga apoio da maioria dos 38 deputados que integram a comissão.

No manifesto, a CNI reconhece a legitimidade do debate, mas alerta para efeitos econômicos relevantes. Segundo a entidade, a redução da jornada pode elevar os custos com trabalhadores formais em até R$ 267 bilhões por ano. O argumento central é que mudanças estruturais precisam considerar a competitividade da indústria brasileira, que já enfrenta desafios como altos custos de produção e insegurança jurídica.
Debate sobre escala 6×1 segue acalorado no Brasil
Atualmente, três propostas tratam do tema no Congresso. A PEC da deputada Erika Hilton (Psol) prevê jornada de 36 horas semanais com implementação em até um ano. Já a proposta do deputado Reginaldo Lopes (PT) também estabelece 36 horas, mas com transição ao longo de dez anos. Além delas, o projeto enviado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva propõe uma jornada de 40 horas semanais.
A expectativa da Câmara é avançar com a votação ainda em maio, em referência ao Dia do Trabalhador. Antes disso, o presidente da Casa afirmou que diferentes setores da sociedade serão ouvidos para a construção do texto final. O tema segue em debate e pode passar por alterações ao longo da tramitação, refletindo interesses diversos entre trabalhadores, empresas e o ambiente econômico do país.





