Uma pesquisa internacional trouxe resultados animadores para pacientes com câncer de pâncreas em estágio avançado. O estudo de fase III contou com a participação de especialistas do Hospital Clínic de Barcelona e avaliou a eficácia do medicamento daraxonrasib. Os dados indicam um aumento expressivo na sobrevida de pessoas que já haviam passado por tratamentos anteriores.
Os resultados foram apresentados durante o congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, realizado em Chicago. Segundo os pesquisadores, pacientes que receberam o novo fármaco alcançaram uma sobrevida média de 13,2 meses. Já aqueles submetidos à quimioterapia convencional registraram uma média de 6,7 meses.
Como o medicamento atua
O diferencial do daraxonrasib está em sua ação sobre alterações do gene KRAS. Essa mutação é encontrada em mais de 90% dos tumores pancreáticos e está associada à agressividade da doença. Além disso, ela contribui para a baixa resposta dos pacientes aos tratamentos imunoterápicos disponíveis atualmente.
Durante anos, cientistas tentaram desenvolver terapias capazes de bloquear essa alteração genética. No entanto, a dificuldade em atingir diretamente a proteína mutada limitava os avanços. O novo medicamento, administrado por via oral, conseguiu superar esse desafio ao interromper sinais que estimulam o crescimento do tumor.

Mudança no tratamento da doença
Especialistas acreditam que a nova terapia poderá modificar significativamente o manejo clínico do câncer de pâncreas metastático. O medicamento já recebeu autorização para uso ampliado nos Estados Unidos após receber uma designação especial da agência reguladora norte-americana. Isso acelerou seu acesso antes da comercialização definitiva.
Na Europa, porém, o processo ainda depende da avaliação das autoridades regulatórias. A expectativa é que a aprovação possa levar entre um ano e meio e dois anos. Enquanto isso, pesquisadores continuam acompanhando os resultados e planejando novas aplicações para o tratamento.





