Uma proposta que previa a cobrança de taxas para donos de pets acabou sendo barrada após forte reação popular no norte da Itália. A medida, discutida na cidade de Bolzano, colocou em evidência um debate público que envolve posse responsável de animais, gestão urbana e os impactos do turismo em regiões com grande fluxo de visitantes ao longo do ano.
O projeto estabelecia o pagamento de uma taxa anual de cerca de 100 euros (cerca de R$ 625 na cotação atual) para moradores com cães, além de uma cobrança diária de 1,50 euro para turistas acompanhados de pets. A iniciativa foi liderada pelo secretário provincial Luis Walcher, com a justificativa de destinar os recursos à limpeza urbana, manutenção de espaços públicos e criação de áreas específicas para o lazer e bem-estar dos animais.
Apesar dos argumentos apresentados pelas autoridades, a proposta enfrentou resistência imediata de diversos setores. A ENPA, organização de proteção animal, classificou a medida como injusta e desproporcional, argumentando que a cobrança penalizaria tutores responsáveis e trataria os animais como fonte de arrecadação, sem considerar o papel social e afetivo que desempenham nas famílias.
Cidade italiana quer cobrar taxa de donos de pets
Especialistas também apontaram que o foco deveria estar na educação da população e na fiscalização eficiente das regras já existentes, ao invés da criação de novos tributos. Outro ponto de preocupação foi o possível impacto negativo no turismo, já que a taxa diária poderia desestimular visitantes que viajam com seus pets, o que certamente afetaria a economia da região italiana.
Diante da forte repercussão negativa e da ausência de consenso político, o governo local decidiu retirar o projeto de pauta. Mesmo com o recuo, as normas de convivência permanecem rigorosas, com multas que podem chegar a 600 euros para quem descumprir regras de higiene. O caso se soma a discussões em cidades como Veneza, mas evidencia a resistência em incluir animais de estimação em políticas tributárias.





