Outrora ostentando o status de ser o homem mais rico do Brasil, Eike Brasil viu seu império ruir por excesso de projetos imaturos, alto endividamento e falta de gestão técnica. Embora não apresente o mesmo prestígio de antes, o empresário teve momentos de grande repercussão em escala internacional, quando encontrou um verdadeiro “baú de tesouros” em território nacional.
No ano de 2012, a petroleira OGX, que é parte integrante do seu grupo chamado EBX, notificou as autoridades após encontrar petróleo em uma área do pré-sal da Bacia de Santos. Nas estimativas iniciais, Eike revelou a possibilidade de o solo conter algo em torno de 3 a 4 bilhões de barris. Como resultado da empreitada, o mercado financeiro foi alfinetado.
A investida ocorreu no chamado bloco BM-S-57, localizado a cerca de 102 km da costa entre São Paulo e Rio de Janeiro. O que despertou a curiosidade da concorrência foi o fato de o tesouro ter sido encontrado em águas consideradas rasas, com apenas 155 metros de profundidade. Na prática, o anúncio do novo campo reforçou a imagem de que seu grupo, o EBX, poderia transformar o setor energético brasileiro.
Reflexos da descoberta de Eike Batista
Toda a euforia da época foi potencializada devido ao fato de que o pré-sal brasileiro ainda vivia fase de consolidação. Em contrapartida, a imersão de uma empresa privada nacional nesse cenário reforçava o diálogo polivalente e o fortalecimento do setor. Por consequência, a descoberta ainda resultou nas ações da OGX escalando a Bolsa de Valores.
Tudo se encaminhava para tornar Eike Batista um dos nomes mais prestigiados do mundo no tocante a fontes de energia, mas toda a empreitada dependia de testes adicionais, comprovação da produtividade dos poços e confirmação da viabilidade econômica. O problema é que a eficiência não foi alcançada, bem como os níveis projetados inicialmente.
Diante da falta de compatibilidade com o discurso outrora desenhado, a confiança dos credores foi pulverizada das mãos do brasileiro. Nesse intervalo, a companhia enfrentou dificuldades financeiras, potencializadas pelo alto endividamento e necessidade de investimentos contínuos para que as operações não fossem cessadas.
Para a frustração de Batista, no ano de 2013, a OGX entrou com pedido de recuperação judicial, em um dos processos mais marcantes do mercado corporativo brasileiro. Isso porque o declínio da empresa escancarou de vez a instabilidade orçamentária do visionário, que anos depois perdeu sua fortuna, provocando reações em cadeia no cenário financeiro.





