Os jumentos, embora não oficiais, são considerados um símbolo cultural do Brasil, especialmente no sertão nordestino. Representam resistência e desenvolvimento rural, mas enfrentam um grave risco de extinção.
O abate predatório, impulsionado pela demanda asiática, tem reduzido drasticamente suas populações. A situação se agrava, com a expectativa de que a espécie possa desaparecer até 2030.
Pesquisadores e criadores se mobilizam para evitar a extinção dos jumentos. Durante o III Workshop Internacional Jumentos do Brasil, em junho de 2025, foi apresentada a “Declaração de Maceió”, que alertou para uma redução de 94% no rebanho nacional, que caiu de 1,3 milhão em 1997 para 78 mil em 2025.

A Indústria do Ejiao
Entre 2018 e 2023, cerca de 248 mil jumentos foram abatidos, com uma média de 113 por dia. O principal motivo para essa exploração é a pele dos animais, utilizada na produção do ejiao, um composto valorizado na medicina tradicional chinesa. Com um preço que pode chegar a US$ 920 por quilograma, a demanda por ejiao tem dizimado a população de jumentos em várias partes do mundo, incluindo o Brasil.
A falta de controle sanitário durante o abate pode facilitar a transmissão de zoonoses. Um estudo da Universidade Federal de Alagoas revelou problemas de saúde em jumentos destinados ao abate, incluindo má nutrição e sinais de maus-tratos, ressaltando a gravidade da situação.
Uma alternativa para reduzir o abate é a valorização do leite de jumenta, que possui propriedades nutricionais significativas. Pesquisadores da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco estão estudando seu uso em UTIs neonatais. Embora a produção de leite de jumenta seja limitada, seu potencial como alimento para recém-nascidos que não podem receber leite materno é promissor.



