Às vésperas da Copa do Mundo de 2026, que terá o México como uma das sedes ao lado dos Estados Unidos e do Canadá, o governo americano atualizou os alertas de viagem para o país e passou a incluir o terrorismo entre os fatores oficiais de risco. A medida aumenta a atenção sobre a segurança no território mexicano justamente no período que antecede a chegada de milhões de turistas para o principal evento do futebol mundial.
O alerta utiliza um sistema de classificação que identifica riscos relacionados à criminalidade, sequestros e terrorismo. Dentro desse modelo, cidades importantes como a Cidade do México e Monterrey receberam recomendações de cautela devido à combinação de violência criminosa e ameaças enquadradas pelos Estados Unidos na categoria de terrorismo. Já regiões como Jalisco, onde fica Guadalajara, tiveram classificação mais severa por causa de confrontos armados registrados em áreas turísticas.

A mudança ocorre após o governo americano passar a tratar grandes cartéis mexicanos como organizações terroristas. Na prática, Washington não está se referindo a ataques terroristas convencionais, mas sim à violência promovida por grupos criminosos fortemente armados. O entendimento, porém, não é compartilhado pelo governo mexicano, que rejeita publicamente essa classificação e contesta a forma como o problema é abordado.
Estados Unidos fazem alerta em meio à Copa do Mundo
O Departamento de Estado também reforçou orientações de segurança para cidadãos americanos que visitam o México. Entre as recomendações estão evitar deslocamentos noturnos entre cidades, utilizar apenas táxis regulamentados ou aplicativos de transporte, não viajar sozinho em áreas isoladas e restringir deslocamentos por rodovias em determinadas regiões do país. Seis estados mexicanos foram enquadrados no nível máximo de risco.
O endurecimento das orientações acontece em meio a um período de atritos diplomáticos. Recentemente, autoridades americanas alertaram para o uso crescente de drones por cartéis mexicanos e para a possibilidade de que esses equipamentos possam ameaçar interesses dos Estados Unidos. As declarações provocaram reações do governo da presidente Claudia Sheinbaum, que cobrou respeito à soberania mexicana e criticou a interferência de autoridades americanas em assuntos internos.


