Consolidado como o país líder em inovação tecnológica, os Estados Unidos estão prestes a dar um passo importante rumo à imersão espacial. No ano de 1969, a NASA (National Aeronautics and Space Administration) concretizou o envio do homem à superfície lunar. Por sua vez, querendo barrar a China, os norte-americanos desejam repetir o feito, gastando quase US$ 100 bilhões (cerca de R$ 526 bilhões).
Segundo o planejamento da agência espacial, o retorno do programa Artemis será evidenciado nesta quarta-feira (1º), com o lançamento de uma tripulação de quatro pessoas ao redor do satélite natural da Terra. O objetivo da empreitada é coletar informações precisas para que um projeto de pouso seja assinado ainda nesta década.
Enquanto a imprensa levanta a possibilidade de o programa ter a finalidade de estabelecer uma base lunar para facilitar futuras explorações, outros profissionais questionam o real motivo do alto investimento. Isso porque o desejo dos Estados Unidos é superar seu atual rival, a China. A título de conhecimento, o país asiático confirmou o envio de alguns astronautas à Lua até 2030.
“Os voos espaciais tripulados estão no cerne da instituição da NASA desde o programa Apollo, e são a identidade de grande parte da agência. Agora que, de certa forma, a NASA já explorou a órbita baixa da Terra e desenvolveu o ônibus espacial reutilizável, o próximo passo é a Lua”, disse o chefe de política espacial da Planetary Society, um grupo de defesa do espaço, Casey Dreier.
NASA desistiu de Marte?
Embora o plano mais audacioso dos engenheiros permaneça sendo viajar a Marte, os cenários atuais fizeram com que os objetivos fossem alterados em um primeiro plano. No entendimento dos especialistas, construir uma base fixa na Lua tende a facilitar novas viagens ao espaço. Dessa forma, a meta passou a ser focar no satélite natural da Terra antes de embarcar rumo ao planeta vermelho.
“Quando pensamos na economia espacial, ela não estará tão centrada na Terra. A longo prazo, porém, provavelmente chegaremos a um ponto em que extrairemos valor de algo no espaço que também tenha valor no espaço. Então, quando penso em coisas como água na Lua, isso provavelmente terá valor quando houver atividade acontecendo além da Terra”, disse o vice-diretor do Projeto de Segurança Aeroespacial do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, Clayton Swope.
Quem deve chegar primeiro: Estados Unidos ou China?
Apesar de ter todo o amparo tecnológico em suas mãos, a China ainda não conseguiu sacramentar seu plano audacioso de enviar pessoas à Lua. No entanto, o objetivo da nação é colocar astronautas em contato com a superfície do satélite. O objetivo dos asiáticos é sacramentar uma missão sucedida até 2030, fator que liga o sinal de alerta dos demais países, especialmente dos EUA.
Isso porque alguns temem danos ao status dos Estados Unidos como nação espacial se a China pousar antes de a NASA conseguir levar astronautas de volta à Lua. Na prática, o Artemis II levará tripulantes ao redor do satélite, enquanto o programa III tende a ter seu lançamento para 2027. Porém, novos esboços podem fazer com que o pouso no solo seja prorrogado em alguns anos.
Segundo o jornal estatal China Daily, os foguetes Longa Marcha têm uma taxa de sucesso de 97%. Isso fica um pouco abaixo da taxa de sucesso de 99,46% do foguete Falcon 9 da SpaceX. Porém, com seus lançadores confiáveis, o país tem sido capaz de planejar com precisão e construir cronogramas realistas para seus marcos espaciais.
Em agosto de 2025, o país realizou um teste em solo de seu mais novo modelo Longa Marcha 10. Na prática, essa versão destina-se a lançar astronautas para a Lua a bordo da cápsula tripulada de última geração Mengzhou em 2030. Isso vai marcar a substituição da espaçonave Shenzhou, que tem sido a usada pelas missões tripuladas chinesas até agora.





