Há quase duas décadas, a carpa asiática deixava de ser apenas uma espécie invasora para ser alvo de uma operação militar na cidade de Chicago, nos Estados Unidos. Devido ao fato de que o peixe estava se reproduzindo descontroladamente, causando prejuízos ambientais, econômicos e à saúde, autoridades montaram uma estratégia fora do comum.
Na ocasião, o canal Sanitary and Ship foi isolado, enquanto centenas de trabalhadores entraram em ação em conjunto com equipes federais. Seguindo o planejamento das autoridades, vários produtos químicos foram despejados, além de eletricidade ter sido direcionada às águas. O objetivo era impedir que a carpa chegasse aos Grandes Lagos.

A metodologia gerou grande debate entre a sociedade, principalmente por ter vitimado outros animais nativos que não comprometiam a reprodução das demais espécies. Em contrapartida, o Serviço de Pesca e Vida Silvestre esclareceu que essa iniciativa tecnológica tem como prioridade proteger os principais sistemas hídricos dos Estados Unidos.
A título de conhecimento, a espécie invasora chegou ao país no século XIX, introduzida em programas que visavam melhorar a qualidade da água e controlar algas em ambientes aquáticos. Todavia, os animais conseguiram “fugir” para o sistema do rio Mississipi, resultando em uma acelerada e difícil contenção de sua população.
O problema principal da invasão desenfreada é que a carpa asiática não possui predadores naturais e a sua capacidade reprodutiva torna o animal uma ameaça significativa às espécies nativas. Na prática, a disseminação do peixe nas diversas águas tem ligado o sinal de alerta das autoridades diante dos riscos de alteração da cadeia alimentar e redução da biodiversidade.
O que aconteceu na operação de 2009?
Apesar de as operações ainda serem uma realidade, o protocolo adotado em 2009 trouxe à tona uma forma controversa de colocar um ponto final em espécies invasoras. Na área invadida, policiais armados, barreiras, cabos de alta tensão e cerca de 400 trabalhadores transformaram o Sanitary and Ship em um cercado para contenção da carpa asiática.
Diante dos produtos químicos depositados e das correntes elétricas no rio, peixes de várias espécies começaram a subir à superfície, até que a morte fosse decretada por conta da falência do sistema nervoso. Para entender o desastre encabeçado pelos Estados Unidos, ao final de um único dia, aproximadamente 25 toneladas de peixes foram recolhidas em um trecho de aproximadamente 9 quilômetros.
Para muitos, a medida teria colocado um fim nos invasores, mas a realidade foi totalmente contrária. Em resumo, poucos meses depois da primeira operação, a cena se repetiu, mas dessa vez com 453 toneladas de peixes retirados. Segundo as autoridades, cerca de 40 espécies diferentes foram mortas, comprovando que todos os esforços estão sendo feitos para preservar os Grandes Lagos.





