Recentemente, o painel AdaptaBrasil, do MCTI/Inpe, foi evidenciado para as autoridades, fator que tem ligado o sinal de alerta de milhares de pessoas. Por meio de estudos minuciosos, ficou determinado que o Brasil possui 1.041 cidades classificadas com risco alto ou muito alto de deslizamentos. Esse número corresponde a quase um a cada cinco municípios em estado crítico.
Diante do cenário apresentado, a preocupação nacional foi instaurada, especialmente devido à parte do país ocupar encostas, morros e áreas urbanas vulneráveis. Potencializando o problema, aparece um levantamento preciso, que destaca que, dos 1.041 municípios em alerta, 830 estão em risco alto e 211 em risco muito elevado.

Apesar de os números serem alarmantes, a preocupação maior fica a cargo da ausência de políticas de adaptação, infraestrutura urbana e prevenção. Por consequência da falta de comprometimento de alguns governos, o número de cidades em situação crítica pode saltar para aproximadamente 1.800 municípios até 2030. Em outras palavras, corresponde a cerca de um terço do Brasil dentro da zona de perigo.
Por que o problema persiste?
Ainda que a projeção de alto risco de algumas regiões seja latente, as autoridades direcionam o foco em locais de maior atenção. Em resumo, o Brasil segue ampliando áreas urbanas sobre regiões naturalmente instáveis. Dessa forma, milhares de famílias passam a residir próximo a encostas por falta de outras alternativas para moradia.
Como resultado da escassez de oportunidades, esse processo criou bairros inteiros em áreas com declividade elevada, solo vulnerável e acesso limitado a obras de contenção. Sobretudo, quando a chuva forte chega, o risco aumenta drasticamente, principalmente onde há cortes irregulares no terreno, ausência de drenagem e acúmulo de água no solo.
Portanto, se o Brasil não montar um plano estratégico para remover as famílias de áreas de risco e enfrentar a combinação de urbanização desordenada, vulnerabilidade social e eventos climáticos extremos, a projeção tende a piorar. Na prática, a construção de bairros em zona de perigo deixa de ser algo distante para se tornar uma realidade desenfreada.





