A Lua está se afastando cada vez mais da Terra devido a um processo chamado recessão lunar, observado pela astronomia com precisão nas últimas décadas. Esse afastamento ocorre a uma taxa média de 3,8 centímetros por ano e está diretamente ligado à interação gravitacional entre os dois corpos.
Como consequência, a duração dos dias na Terra vem aumentando lentamente, algo estimado em cerca de 1,09 milissegundo por século, segundo análises recentes baseadas em registros desde o século 17. Ainda que seja uma variação pequena, ela mostra como o movimento da Lua influencia o equilíbrio dinâmico do planeta.
Por que o afastamento acontece
O fenômeno ocorre porque a Terra gira mais rápido do que a Lua orbita. Esse descompasso faz com que o volume de água das marés se desloque ligeiramente à frente da Lua. A gravidade do satélite tenta puxar essa massa de água para trás, criando uma troca de energia. Nesse processo, a Terra perde parte da sua energia de rotação, fazendo os dias ficarem mais longos, enquanto a Lua ganha energia e se afasta gradualmente.
Modelos científicos indicam que, no início da formação da Terra, os dias duravam cerca de seis horas. Após o surgimento da Lua, a perda gradual de energia de rotação fez os dias se estenderem até quase 24 horas. Estudos também mostram que, há 3,2 bilhões de anos, a Lua estava muito mais próxima do planeta, a cerca de 270 mil quilômetros, aproximadamente 70% da distância atual.
Apesar do afastamento contínuo, não há risco de a Lua abandonar a órbita terrestre em escalas de tempo relevantes para a humanidade. No entanto, o aumento gradual da duração dos dias e as mudanças no comportamento das marés influenciam processos ambientais complexos.





