Nos últimos meses, o Brasil foi tomado por discussões sobre o fim da escala 6×1, que consiste em uma jornada de trabalho em que o funcionário se coloca à disposição da empresa durante seis dias, enquanto descansa em apenas um. Por sua vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou novos desdobramentos, alegando que “esse tema vai chegar na nossa mesa logo, logo”.
Durante cerimônia no Palácio do Planalto, o representante do Partido Trabalhista (PT) cravou os próximos passos para garantir uma vida mais digna para os trabalhadores do país. Embora ainda não tenha avaliado o texto referente ao projeto, entende a necessidade de garantir uma sobrevida para aquelas pessoas que exercem suas funções com dignidade para colocar o alimento dentro de casa.

“Hoje a juventude já não quer mais isso [escala 6×1]. É importante que a gente, enquanto governo, trate de pesquisar. Vamos utilizar a universidade, a OIT [Organização Internacional do Trabalho], vamos utilizar tudo que é organização de trabalho e vamos tentar apresentar uma nova forma de trabalhar nesse país. Para que a gente possa garantir mais mobilidade para as pessoas”, esclareceu a autoridade.
Enquanto a queda de braço se arrasta, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou, nesta terça-feira (25), que as próximas reuniões para tratar da escala 6×1 vão envolver uma transição para micro e pequenas empresas. No entanto, a discussão tende a ser feita no âmbito legislativo no momento da aprovação do texto.

Fim da escala 6×1 gera revolta nas grandes empresas
A título de ciência, a proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 8/2025, que acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de folga (6×1), foi protocolada na Câmara dos Deputados em fevereiro deste ano. A PEC prevê uma jornada de trabalho de, no máximo, 36 horas semanais e 4 dias de trabalho por semana. Enquanto isso, há outras propostas no Congresso que tratam sobre redução de jornada.
O problema é que o texto tem sido detonado por setores empresariais, que alegam que a proposta tem tudo para levar os custos operacionais das companhias com a contratação de mais funcionários. Contudo, Boulos esclarece que é necessário saber separar aqueles que detêm poder financeiro daqueles que trabalham duro para receber um salário mínimo.
“Nós temos que separar muito bem o que é o grande empresário, a corporação, o banqueiro e o que é o pequeno. Aquele lá que tem uma oficinazinha, que tem um lugar para comer, que tem um negócio ali com três, com cinco funcionários. Para esse pequeno, você tem que ter um modelo de transição para que a sustentabilidade do negócio não seja prejudicada com o fim da escala 6×1”, avaliou.





