Fundada em 1944, as Lojas Brasileiras (LoBras) foram disseminadas por todo o território nacional como uma tentativa de bater de frente com as Lojas Americanas. O nome provocativo foi escolhido para reforçar o sentimento de pertencimento, mas nem mesmo a façanha garantiu a projeção ao protagonismo. Isso porque, em 29 de julho de 1999, a rede precisou encerrar suas atividades.
Mesmo nascendo 15 anos após a Americanas, a empresa fundada por Adolfo Basbaum, um imigrante judeu, teve seus momentos de prestígio. A nível de curiosidade, as Lojas Brasileiras se estabeleceram como uma das maiores redes de departamento do país, chegando a ter mais de 6 mil funcionários em seu quadro e faturar cerca de R$ 500 milhões por ano.

No entanto, em 1982, a LoBras passou o controle de suas ações para a família Goldfarb, que na época já era dona das Lojas Marisa. Diante de tamanho império, os empresários não conseguiram sustentar as atividades das 63 unidades espalhadas por 20 estados do Brasil, encerrando as operações ao final da década de 90. A ação foi motivada pela dificuldade de sanar dívida de cerca de R$ 100 milhões.
O que levou ao fim da concorrente das Lojas Americanas?
A mudança de rota esteve diretamente ligada ao cenário econômico do país, com a estabilização da moeda e a abertura do mercado para produtos importados. Os fatores aliados reduziram a margem de lucro das lojas, que não podiam mais repassar os custos da inflação para os preços, o que consequentemente aumentou a concorrência de produtos estrangeiros, muitas vezes de melhor qualidade e menor preço.
Por outro lado, a falta de planejamento estratégico e de gestão profissional da empresa, que era controlada pela família Basbaum, iniciou todo o descenso. Em resumo, a rede não se adaptou às novas exigências do mercado, nem investiu em inovação, tecnologia e diferenciação. Dessa forma, os representantes não souberam administrar o seu endividamento, nem negociar com os fornecedores e os credores.

