O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reiterou a proposta de elevar a mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 35%, durante evento no setor de biocombustíveis. A medida visa fortalecer a indústria nacional e reduzir as emissões de carbono, alinhando-se ao programa Mover. O último reajuste ocorreu em 2025, quando o percentual subiu de 27% para 30%, indicando uma trajetória de incremento gradual.
Base legal e desafios técnicos
O projeto de lei “Combustível do Futuro”, aprovado em 2024, autoriza o Poder Executivo a elevar o teor de etanol em até 35%, condicionado a estudos técnicos. A mudança é viável para veículos flex, que representam a maioria da frota, mas impõe riscos a motores não adaptados. Carros exclusivamente a gasolina, como modelos antigos ou importados, podem enfrentar corrosão de componentes e falhas de combustão devido à incompatibilidade com misturas elevadas.

Por que uma mistura maior pode ser ruim?
O etanol possui menor poder calorífico que a gasolina, reduzindo a autonomia dos veículos. A gasolina E35 exigiria abastecimentos mais frequentes, embora diminua emissões. Em regiões frias, a maior dificuldade de evaporação do etanol pode comprometer partidas a frio, enquanto a corrosividade aceleraria o desgaste de mangueiras e vedações em carros não preparados. Esses fatores elevam custos de manutenção para usuários de veículos convencionais.
Veículos flex são calibrados para operar com misturas entre 27% e 30% de etanol. O aumento para 35% pode desafiar a capacidade das centrais eletrônicas em identificar o combustível, resultando em falhas de combustão, perda de desempenho e danos prolongados ao motor. Em carros não flex, a ausência de compensação automática agrava riscos de detonação (“batida de pino”) e redução da vida útil do sistema de alimentação.

