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Motoristas já estão revoltados com chegada de gasolina mais fraca no Brasil

Por Fagner Gregório
24/10/2025

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reiterou a proposta de elevar a mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 35%, durante evento no setor de biocombustíveis. A medida visa fortalecer a indústria nacional e reduzir as emissões de carbono, alinhando-se ao programa Mover. O último reajuste ocorreu em 2025, quando o percentual subiu de 27% para 30%, indicando uma trajetória de incremento gradual.

Base legal e desafios técnicos

O projeto de lei “Combustível do Futuro”, aprovado em 2024, autoriza o Poder Executivo a elevar o teor de etanol em até 35%, condicionado a estudos técnicos. A mudança é viável para veículos flex, que representam a maioria da frota, mas impõe riscos a motores não adaptados. Carros exclusivamente a gasolina, como modelos antigos ou importados, podem enfrentar corrosão de componentes e falhas de combustão devido à incompatibilidade com misturas elevadas.

Créditos: reprodução

Por que uma mistura maior pode ser ruim?

O etanol possui menor poder calorífico que a gasolina, reduzindo a autonomia dos veículos. A gasolina E35 exigiria abastecimentos mais frequentes, embora diminua emissões. Em regiões frias, a maior dificuldade de evaporação do etanol pode comprometer partidas a frio, enquanto a corrosividade aceleraria o desgaste de mangueiras e vedações em carros não preparados. Esses fatores elevam custos de manutenção para usuários de veículos convencionais.

Veículos flex são calibrados para operar com misturas entre 27% e 30% de etanol. O aumento para 35% pode desafiar a capacidade das centrais eletrônicas em identificar o combustível, resultando em falhas de combustão, perda de desempenho e danos prolongados ao motor. Em carros não flex, a ausência de compensação automática agrava riscos de detonação (“batida de pino”) e redução da vida útil do sistema de alimentação.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Fagner Gregório

Fagner Gregório

Jornalista graduado pela SATC (Santa Catarina), atua na produção de conteúdo jornalístico para web. Tem experiência em redação de portais (4oito) e jornais, além de assessoria de comunicação.

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