A recuperação judicial da Ambipar, aprovada pela Justiça do Rio de Janeiro, marcou um dos momentos mais críticos da multinacional brasileira. A empresa, que atua em soluções ambientais e soma cerca de 23 mil funcionários no mundo, enfrentou uma crise financeira agravada a partir do segundo semestre de 2025.
O cenário piorou após a saída inesperada do diretor financeiro João Arruda, que levou à descoberta de possíveis irregularidades em operações de swap. A reação do mercado foi imediata, provocando queda acentuada das ações e pressionando credores a antecipar cobranças, o que ameaçou diretamente o fluxo de caixa do grupo.

Como a crise evoluiu para recuperação judicial
Documentos apresentados à Justiça apontam que a Ambipar acumulava aproximadamente R$ 10 bilhões em dívidas. A situação tornou-se mais severa quando uma operação de crédito com o Deutsche Bank exigiu garantias adicionais, reduzindo rapidamente a liquidez disponível.
A companhia temia o disparo de cláusulas de vencimento cruzado, que poderiam provocar a cobrança simultânea de diversas dívidas e levar a uma insolvência imediata. Para evitar o colapso, foi solicitado inicialmente um pedido de tutela cautelar e, na sequência, o processo formal de recuperação judicial.
Os impactos financeiros ficaram evidentes no balanço do segundo trimestre de 2025, quando a empresa registrou prejuízo de R$ 134,1 milhões. No mercado, a perda de confiança foi expressiva: as ações despencaram mais de 90%, investidores ligados a COEs sofreram perdas consideráveis e a B3 excluiu a Ambipar de índices importantes, inclusive o de ações verdes.
Apesar da crise, o peso econômico da empresa influenciou a decisão judicial. A Ambipar opera em 41 países e tem forte presença em gestão de resíduos e resposta a emergências ambientais, áreas nas quais cresceu de forma acelerada após sua entrada na B3 em 2020 e uma sequência de aquisições internacionais.





