Uma fábrica fechada corresponde a quantos empregos perdidos e famílias desamparadas? Os números variam a depender de cada fábrica e especificidades, porém, o encerramento das atividades de uma empresa multinacional do Grupo Saint-Gobbain afetará mais de 100 famílias e milhares de trabalhadores indiretos.
É a previsão, pelo menos, que existe por conta de decisão entre Isover, Ministério Público e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. Depois de quase 70 anos, o distrito de Santo Amaro terá uma mudança na paisagem. A fábrica Isover encerrará as atividades e se tornará “apenas” um centro de distribuição.
A empresa produz lã de vidro para setores da construção civil, indústria automotiva, agronegócio e infraestrutura de data centers. Apesar da importância na economia, a fábrica da multinacional trazia impactos negativos à população de Santo Amaro, que protocolou uma reclamação à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo em março de 2023.
De acordo com os moradores da região, a Isover contribui para a poluição atmosférica com a emissão de fumaça densa e de forte odor. Os prejuízos para a saúde, então, seriam: dificuldade de respirar, ressecamento e irritação da pele, ardência nos olhos e incômodo causado por ruídos constantes, especialmente no período noturno.
A fábrica da empresa multinacional, que acatou ao Termo de Ajuste de Conduta e tem até o término de julho para encerrar as atividades de produção da lã de vidro, se defendeu. A Isover afirmou que sempre esteve “em conformidade com a legislação e atendendo aos critérios de sustentabilidade e segurança da saúde humana estabelecidos por entidades nacionais e internacionais.”
Para além do fechamento da fábrica, a multinacional terá de fazer a gestão das áreas contaminadas com ações como tratamento e destinação correta dos resíduos. A decisão do Ministério Público e da Companhia Ambiental ocorre depois de muitas meses de audiências públicas e reuniões com órgãos municipais e estaduais.





