O Brasil registrou um aumento expressivo nos pedidos de refúgio em 2025, consolidando uma tendência de crescimento observada nos últimos anos. O país recebeu 75.599 solicitações, número que representa alta de 10,9% em relação ao ano anterior. O volume figura entre os maiores já contabilizados desde o início da série histórica.
Os dados fazem parte do levantamento Refúgio em Números 2026, elaborado pelo Observatório das Migrações Internacionais em parceria com o Ministério da Justiça. O estudo foi divulgado durante as ações relacionadas ao Dia Mundial do Refugiado. A pesquisa analisa o cenário migratório brasileiro entre 2010 e 2025.
Cubanos assumem a liderança das solicitações
Pela primeira vez em vários anos, os cidadãos cubanos ocuparam a primeira posição entre os solicitantes de refúgio. Foram 41.919 pedidos apresentados ao Comitê Nacional para os Refugiados, correspondendo a 55,4% do total registrado em 2025. Em comparação com o ano anterior, o crescimento dessa nacionalidade foi de 88,1%.
O avanço está relacionado ao agravamento das dificuldades econômicas enfrentadas por Cuba. A ilha também atravessa um período de tensões internacionais e desafios energéticos que impactam diretamente a população. Esse cenário contribuiu para o aumento do fluxo migratório em direção ao Brasil.
Os venezuelanos, que lideravam as estatísticas nos últimos anos, ficaram na segunda colocação com 21.233 solicitações. Em seguida aparecem colombianos, angolanos, marroquinos e ganeses. Juntos, esses grupos representam parte significativa da diversidade de nacionalidades que buscam proteção internacional no país.
Região Norte concentra maior número de registros
Mais da metade dos pedidos analisados pelo Conare foi registrada nos estados da Região Norte. Roraima concentrou a maior parcela das solicitações decididas, seguido por Amapá e Amazonas. A proximidade com fronteiras internacionais influencia diretamente essa distribuição geográfica.
O perfil dos solicitantes mostra predominância masculina, com 55,9% dos registros. A maior parte tem entre 25 e 40 anos, embora entre os cubanos o grupo mais numeroso seja formado por pessoas acima dos 60 anos.
